"Atirei para defender a minha vida", diz PM a júri do caso Leandro Lo

Tenente Henrique Velozo declarou ter agido em legítima defesa na briga que terminou na morte do campeão mundial de jiu-jitsu

Bruna Lopes, da CNN Brasil*, em São Paulo
Tenente Henrique Velozo durante interrogatório no júri no dia 14 de novembro  • Reprodução
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O tenente da Polícia Militar Henrique Velozo, de 33 anos, afirmou ao júri que agiu em legítima defesa ao disparar contra o octacampeão mundial de jiu-jitsu Leandro Lo. Segundo ele, o lutador teria iniciado as agressões, o que o levou a reagir para “salvar a própria vida”.

Durante o depoimento, Velozo detalhou sua versão para o episódio que resultou na morte do atleta. Ele disse que, ao se aproximar do palco principal do evento, foi segurado pelo braço por amigos de Leandro.

A partir daí, conforme o policial, iniciou-se uma discussão.

Leia: Por que júri absolveu policial acusado de matar lutador Leandro Lo? Entenda

De acordo com o tenente, o lutador aplicou um golpe conhecido como “baiana”, seguido de um estrangulamento frontal, transição para as costas e um mata-leão, que o imobilizaram.

Ao recobrar a consciência, Velozo afirma que sacou a arma e atirou em Leandro.

Veja a simulação apresentada pela defesa do policial:

Ao ser questionado pela defesa, Velozo negou ter premeditado a morte do lutador e reiterou que só efetuou o disparo porque, segundo ele, foi agredido e que, caso contrário, não teria atirado.

“Me envergonho. É constrangedor para a minha família e vexatório. Ao tentar salvar a minha vida, acabei com a minha imagem e destruí a da minha família também”, disse em audiência.

Veja trecho do depoimento:

Henrique classifica o episódio como uma tragédia e conta que sua família sofreu com o reflexo disso. O militar afirma que a mãe desenvolveu um quadro depressivo grave e casos de epilepsia.

Absolvição pelo júri

O ex-tenente da PM Henrique Otavio Oliveira Velozo, acusado pelo homicídio do lutador Leandro Lo, foi absolvido pelo júri nesta sexta-feira (14). O Conselho de Sentença entendeu que o militar agiu em legitíma defesa. 

Leandro Lô Pereira do Nascimento morreu após ser baleado na cabeça em um show na Zona Sul de São Paulo, na madrugada do dia 7 de agosto de 2022, no Esporte Clube Sírio.

A defesa do réu alegou, desde o início da ação penal, que o policial se defendeu do lutador e apontou contradições nos relatos das testemunhas, o que contribuiu para a decisão do júri.

Fátima Lo, mãe do campeão mundial de jiu-jitsu Leandro Lo, usou as redes sociais para repudiar a decisão.

"Ontem eu enterrei o Leandro pela segunda vez. Esse é o meu sentimento. O sentimento da gente, porque foi uma tristeza tão grande. A gente foi tão humilhado lá, tão massacrado pela defesa lá, aquele advogado e a bancada dele. Eles o tempo todo provocavam a gente, humilhavam, né? E a gente não podia falar nada. Não podia se manifestar, né? Eu passei mal", afirmou.

Fátima Lo também acusa a defesa de mentir diante do tribunal e afirma que eles "inventaram história" para garantir a impunidade do policial. A família afirma que vai recorrer da decisão.

Quem é Velozo

Velozo ingressou na Polícia Militar aos 18 anos e soma 15 anos de carreira. Antes de ser aprovado no concurso da corporação, estudava Mecatrônica de Precisão na Fatec.

Ao longo da trajetória como policial, praticou Defesa Pessoal Policial, modalidade que reúne técnicas de diferentes artes marciais. Segundo ele, sua especialidade incluía golpes contundentes, muay thai e boxe. Velozo também já atuou como árbitro da Federação Paulista de Boxe.

O tenente afirma ter concluído três graduações: o Curso Superior de Oficial, o bacharelado em Direito e a formação em Educação Física pela Academia da Polícia Militar.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo