Avião da Voepass tinha 10 falhas antes do acidente, aponta Cenipa

Relatório final sobre a queda de agosto de 2024 revela que sistema de degelo e limpador de para-brisa apontavam problemas

Fernanda Palhares, colaboração para a CNN Brasil*, em São Paulo
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O relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) sobre o acidente com o avião da Voepass, em 9 de agosto de 2024, divulgado nesta quinta-feira (23), apontou que antes voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) a aeronave apresentava 10 itens com falhas, sendo uma delas no limpador de parabrisa.

Além disso os outros itens eram:

  • Assento de observador na cabine;
  • Cinco assentos de passageiros;
  • Freio da roda número 4;
  • Iluminação da cabine de pilotagem;
  • Luzes estroboscópicas da cauda;
  • Equipamento radiogoniométrico automático;
  • Sistema eletrônico de instrumentos de voo;
  • Sistema de ignição.

O primeiro item não é especificado.

Segundo a investigação, a aeronave não deveria sequer ter decolado nas condições em que foi liberada para o voo, pois operava com o sistema Airframe De-Icing, responsável pela proteção contra o acúmulo de gelo, inoperante.

O ATR-72 de matrícula PS-VPB fazia o voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) quando encontrou condições severas de formação de gelo durante o cruzeiro.

O gelo acumulado nas superfícies críticas da aeronave degradou o desempenho do avião, provocando perda de velocidade, estol aerodinâmico, perda de controle e, posteriormente, a queda em uma área residencial de Vinhedo (SP). Os 58 passageiros e os quatro tripulantes morreram.

Simulação mostra acidente da Voepass:

A tragédia

voo 2283 da VoePass decolou de Cascavel (PR) na tarde de 9 de agosto de 2024 com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. Durante a aproximação de São Paulo, o ATR 72-500 perdeu rapidamente sustentação e caiu em um condomínio residencial em Vinhedo, no interior paulista.

Os primeiros dados da investigação mostraram que a aeronave enfrentava condições severas de formação de gelo. O piloto chegou a relatar problemas no sistema de degelo, enquanto os gravadores registraram alertas como Cruise Speed Low e Degraded Performance, indicando perda progressiva de desempenho da aeronave.

As 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e quatro tripulantes — morreram.

O que diz a Anac e Voepass

Em nota enviada à CNN Brasil, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informou que iniciará a etapa de análise técnica detalhada das conclusões apontadas e das recomendações relacionadas às competências da Anac.

"As investigações conduzidas pelo Cenipa têm caráter exclusivamente preventivo e não se destinam à atribuição de culpa ou responsabilização, mas à identificação de fatores que contribuíram para o acidente e de recomendações para aprimorar o sistema de segurança operacional da aviação civil", diz a nota.

Em nota, a Voepass afirmou que desde o momento do acidente, a empresa esteve solidária às famílias. Além disso, a empresa ressaltou que durante as investigações, atuou de forma transparente junto ao Cenipa e às autoridades públicas.

"Em mais de 30 anos de operações na aviação brasileira, a companhia jamais havia enfrentado uma situação como essa. Ao longo de três décadas, sempre adotou procedimentos sérios de segurança, capacitação e orientação de tripulação", diz texto.