"Bomba baixa": Entenda golpe aplicado em postos supostamente ligados ao PCC

Investigações revelaram que centenas de postos de combustíveis utilizaram fraude para gerar lucros ilícitos

Beto Souza, da CNN, em São Paulo
Bomba de combustível em posto de gasolina em Brasília
Bomba de combustível em posto de gasolina  • 07/03/2022 - REUTERS/Adriano Machado
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Megaoperações deflagradas na última semana, como a "Carbono Oculto" e a "Operação Tank", expuseram um intrincado esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis com a participação do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Um dos golpes mais prejudiciais aos consumidores identificados nas investigações é o chamado "bomba fraudada", também conhecido como "bomba baixa", que envolve a adulteração intencional da quantidade de combustível entregue.

As investigações revelaram que centenas de postos de combustíveis estiveram envolvidos no esquema, com o PCC utilizando essa fraude para gerar lucros ilícitos.

Veja imagens da Operação Carbono Oculto

Entenda golpe

De acordo com Paulo Miranda, presidente da Fecombustíveis, é crucial diferenciar a "bomba baixa" da "bomba fraudada". A bomba baixa ocorre quando a bomba está ligeiramente abaixo do volume exigido por lei, geralmente por problemas técnicos, não indicando dolo ou intenção de enganar o consumidor.

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Já a bomba fraudada é um ato deliberado, onde o empresário mal-intencionado utiliza um "chip" para enganar o consumidor, fazendo com que ele receba menos combustível do que pagou.

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É essa prática de fraude com chip que é mais frequente em São Paulo e está diretamente ligada ao PCC, que a emprega para obter vantagens ilícitas, incluindo a venda de gasolina roubada e adulteração de combustíveis.

Veja imagens da Operação Tank

Entenda esquema

A organização criminosa se infiltrou em toda a cadeia de combustíveis, desde a importação irregular de metanol, que chega pelo Porto de Paranaguá (PR) e é desviado para adulterar combustíveis, compondo até 50% da gasolina vendida até a revenda ao consumidor.

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Os lucros são lavados e ocultados em uma complexa rede de empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs, que funcionam como "bancos paralelos" para dificultar o rastreamento dos recursos.

Essa rede do PCC movimentou cerca de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, com uma sonegação de R$ 7,6 bilhões em tributos. Postos receberam 12 mil depósitos em espécie em um dia, aponta inquérito.

A Fecombustíveis emitiu nota em apoio as investigações do MPSP (Ministério Público de São Paulo) e da PF (Polícia Federal), destacando a importância de denunciar irregularidades no setor de combustíveis.

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