Caso Gritzbach: Júri é cancelado após confusão e abandono de advogados
Julgamento vai recomeçar em outra data após conflito entre acusação e defesa durante a sessão desta segunda-feira (22)

O julgamento dos três policiais militares acusados pela execução de Vinícius Gritzbach, delator do PCC, nesta segunda-feira (22), foi cancelado após confusão durante a sessão.
O bate-boca começou quando o promotor de Justiça Rodrigo Merli Antunes estava interrogando um capitão da PM (Policia Militar), que participou da busca e apreensão de um dos réus citados e levantou o caso de denúncia sobre um susposto atentado contra um dos advogados.
A defesa dos acusados levantaram a questão que o fato não tem relação com o Caso Gritzbach. O Juiz decretou a suspensão do Júri, após advogados abandonarem o plenário.
O Tribunal de Justiça se manifestou por meio de nota;
"Houve abandono do plenário parte da defesa dos réus após desentendimento com o promotor, e, por isso, dissolução do conselho de sentença. O júri será redesignado para data oportuna".
Veja trecho da entrevista com o promotor, Rodrigo Merli Antunes;
Veja trecho da entrevista com o advogado de defesa, Cláudio Dalledone Júnior;
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O que dizem as partes
À CNN Brasil, a defesa dos réus repudiou o ocorrido e alegou ter sido alvo deataques pessoais durante o julgamento. Leia na íntegra:
"A banca de defesa dos policiais militares acusados no caso Vinícius Gritzbach vem a público manifestar seu profundo repúdio aos ataques pessoais e às ofensas dirigidas aos advogados que exercem a defesa técnica dos acusados durante a sessão plenária do Tribunal do Júri. No decorrer dos trabalhos, os advogados da defesa foram alvo de manifestações incompatíveis com o ambiente de respeito e urbanidade que deve nortear o Tribunal do Júri, sendo reiteradamente associados, de forma pejorativa, à condição de defensores de “assassinos de aluguel” e “e conversam com assassinos” expressões ofensivas e desqualificadoras dirigidas à advocacia.
Em especial, o advogado Mauro Ribas foi atingido por referências indevidas a um episódio traumático de sua vida pessoal, consistente em atentado anteriormente sofrido, circunstância que foi trazida ao plenário de maneira absolutamente desrespeitosa e desvinculada do objeto do julgamento, em evidente afronta à dignidade profissional e às prerrogativas da advocacia. As sucessivas ocorrências geraram situação de absoluta excepcionalidade, reconhecida pelo próprio Juízo Presidente, tornando inviável a continuidade regular dos trabalhos e culminando na dissolução do Conselho de Sentença.
A defesa informa que adotará todas as providências institucionais e legais cabíveis em razão dos fatos ocorridos, por compreender que o exercício da advocacia criminal é função essencial à administração da Justiça e não pode ser alvo de intimidações, ataques pessoais ou tentativas de deslegitimação. Por fim, a banca reafirma seu compromisso com a defesa dos réus, permanecendo na representação do Tenente Genauro, do Cabo Denis e do Soldado Ruan, aguardando a designação de nova data para julgamento".
O Ministério Público de São Paulo, por sua vez, repudiou "não só as quase consumadas agressões físicas em face do sobredito promotor, como também lamenta a conduta ao final adotada". Leia:
"Ao contrário do propalado pela defesa dos PMs acusados no processo em referência, o Ministério Público do Estado de São Paulo vem a público esclarecer que, na última segunda-feira, o Conselho de Sentença do Tribunal do Júri da Comarca de Guarulhos não foi dissolvido pelo magistrado em função da conduta de um dos promotores de Justiça, mas sim diante da recusa dos advogados em prosseguirem no julgamento, deixando, assim, os réus indefesos para a continuidade da sessão.
A instituição repudia não só as quase consumadas agressões físicas em face do sobredito promotor, como também lamenta a conduta ao final adotada, que não só posterga a prestação jurisdicional e a pacificação dos conflitos, mas também gera custos ao erário e, principalmente, a revitimização das famílias enlutadas".
O julgamento
Seriam ouvidas 21 testemunhas, sendo nove de acusação; uma em comum ao MP e ao réu Juan; duas de defesa de Juan e Denis; duas de defesa de Denis e outras cinco de defesa do réu Fernando.
O caso será julgado pelo Juiz Rodrigo Telline de Aguirre Camargo e pelo Conselho de Sentença, composto por quatro homens e três mulheres. Os promotores de Justiça Rodrigo Merli Antunes e Vania Caceres Stefanoni representam a acusação.
Já a defesa é formada pelos advogados Renato Soares, Mauro Ribas, Nayara Gabriela Ramos Thibes, Taynara Sturaro, Cláudio Dalledone Júnior e Renan Pacheco Canto.
Morte do delator
Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, de 38 anos, foi morto a tiros de fuzil no Aeroporto Internacional de Guarulhos em 8 de novembro de 2024, após um acordo de delação premiada com o Ministério Público, o qual fornecia informações de esquemas de lavagem de dinheiro, movimentações financeiras e imóveis de integrantes da facção.
Ele também teria indicado policiais militares e civis suspeitos de extorquir criminosos. A motivação do crime, segundo a polícia, estaria ligada a vingança e disputas financeiras envolvendo lavagem de dinheiro e criptomoedas.
Alegação da defesa dos PMs
Pouco antes do júri popular dos policiais militares acusados de participação na morte de Vinicius Gritzbach, a defesa dos réus Denis Antônio Martins e Ruan Silva Rodrigues protocolaram um parecer técnico. O documento contesta a perícia e a confiabilidade das provas genéticas obtidas durante o processo.
De acordo com o parecer, obtido pela CNN Brasil, houve falhas procedimentais no laudo pericial realizado no veículo VW Gol — usado pelos executores no dia do crime, sob a ótica do relatório final da Câmara Técnica de Vestígios Biológicos. O carro, encontrado abandonado próximo ao aeroporto, foi preservado e periciado no local.
*Com informações de Vitor Bonets, Bruna Lopes e Thomaz Coelho

