Criminosos trocaram HD de delegacia com ajuda de agente para ocultar provas
Mensagens interceptadas mostram que objeto apreendido foi trocado por outro sem conteúdo para ocultar provas, com auxílio de investigador da Polícia Civil

Mensagens interceptadas pela investigação da Operação Bazaar, desta quinta-feira (5), indicam que integrantes de uma organização criminosa teriam trocado um HD apreendido pela polícia por outro dispositivo sem conteúdo, com o objetivo de ocultar provas.
Segundo decisão judicial obtida pela CNN Brasil, a ação teria ocorrido com auxílio de um investigador da Polícia Civil de São Paulo.
De acordo com o documento, conversas entre os investigados mostram que ambos combinaram um encontro presencial para substituir o HD original, apreendido durante buscas, por outro equipamento que não conteria informações capazes de incriminá-los.
A decisão aponta ainda que o ponto de encontro para a troca teria sido o DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania), sede de unidades especializadas da Polícia Civil. O documento também afirma que a ação não seria possível sem a participação de policiais da própria unidade. Entre os citados está o investigador Roldnei Eduardo dos Reis Baptista, que atuava na delegacia responsável pelo inquérito à época dos fatos.
Após o início das investigações ao grupo, os suspeitos passaram a adotar estratégias para ocultar ou destruir provas e corromper policiais civis, com o objetivo de evitar responsabilização criminal.
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A investigação faz parte de uma ofensiva conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Federal que apura um suposto esquema de corrupção policial voltado à proteção de grupos especializados em lavagem de dinheiro.
A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos alvos citados. O espaço segue aberto para um posicionamento.
Entenda a operação
O MPSP (Ministério Público de São Paulo) e a PF (Polícia Federal) realizam uma operação, na manhã desta quinta-feira (5), contra corrupção e lavagem de dinheiro em departamentos da PCESP (Polícia Civil do Estado de São Paulo).
No total, são cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, inclusive em unidades policiais, além de 11 mandados de prisão e seis mandados de intimação relativos a medidas cautelares diversas da prisão, direcionados a integrantes da organização criminosa, advogados e policiais civis, na Operação Bazaar.
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Entre os alvos da ação estão os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, alvos da Operação Lava Jato, apontados como operadores do grupo criminoso.
Até o momento, nove alvos foram presos, sendo dois investigadores, um escrivão de polícia, um delegado, além de Meire Poza. Já os outros, são considerados integrantes da organização criminosa.
A operação ainda tenta localizar Leonardo Meirelles e um outro membro do grupo.
A decisão judicial que autorizou a operação cita um "elevado grau de prática de corrupção sistêmica" de policiais do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), do DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania) e do 16° DP (Vila Clementino).
A investigação aponta um "amplo e estruturado esquema de corrupção policial voltado à proteção de uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro". O grupo criminoso era composto por doleiros, operadores financeiros e indivíduos com extenso histórico de prática de atos de lavagem de capitais.
O MPSP afirma que a organização atuava coordenadamente para garantir a continuidade das práticas criminosas e evitar a responsabilização de seus integrantes. Para isso, fazia pagamentos sistemáticos de vantagens indevidas a agentes públicos, além de adotar estratégias de fraude processual, manipulação de investigações e destruição de provas no âmbito de inquéritos policiais.
A operação é realizada por intermédio da Ficco (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado) e com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil. Em reunião conjunta com a Corregedoria, foi deliberada a realização de correições extraordinárias em todas as unidades policiais envolvidas para promover a responsabilização disciplinar e apurar eventuais outros ilícitos ocorridos nas repartições.


