Policiais teriam pedido R$ 5 mi para não continuarem investigações, diz MP

Conversas interceptadas pelo mpsp indicam cobrança para suspender apuração de lavagem de dinheiro contra grupo criminoso

Felipe Souza, da CNN Brasil, Vitor Bonets, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo
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Conversas interceptadas pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo) indicam que policiais civis teriam solicitado R$ 5 milhões para interromper uma investigação que envolvia integrantes de uma organização criminosa investigada por lavagem de dinheiro. A CNN Brasil obteve acesso à informação na decisão judicial relacionada à ação que apura corrupção na Polícia Civil de São Paulo.

De acordo com o documento, durante uma conversa interceptada, Paulo Rogério Dias, conhecido como Paulo Barão, afirma que um representante do grupo investigado, Robson Martins de Souza, teria sido informado da cobrança.

Segundo o trecho da decisão, foi solicitado o pagamento de R$ 5 milhões ao integrante da organização que compareceu a uma delegacia, valor que seria necessário para “resolver” a investigação em andamento.

Na mesma conversa, Barão questiona Robson sobre possíveis contatos no 16º Distrito Policial, informando que o inquérito estaria sob responsabilidade de um delegado identificado como “João”.

As interceptações também mostram preocupação de integrantes do grupo com o avanço do inquérito. Em uma conversa registrada em dezembro de 2022, Barão encaminha a Cleber Martins um áudio no qual demonstra apreensão com a investigação em andamento na unidade policial.

Segundo o Ministério Público, o episódio integra um esquema mais amplo de corrupção. A investigação aponta a existência de uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro que, para garantir impunidade, realizava promessas e pagamentos de vantagens indevidas a policiais civis.

Ainda de acordo com os promotores, os integrantes do grupo atuavam coordenadamente para interferir em investigações em curso e assegurar proteção institucional às atividades ilícitas. As apurações fazem parte da operação conjunta conduzida pelo MPSP e pela Polícia Federal, que mira um suposto esquema de corrupção sistêmica na polícia paulista.

A defesa dos citados não foi localizada até o momento. O espaço permanece aberto para manifestações.