Deolane Bezerra é investigada por promotor "jurado" pelo PCC
Advogada foi presa na manhã desta quinta-feira (21) em operação que mira lavagem de dinheiro da facção criminosa; Lincoln Gakiya tem "morte decretada" pela alta cúpula do Primeiro Comando da Capital há pelo menos 20 anos
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra, presa na manhã desta quinta-feira (21), é investigada pelo promotor de Justiça Lincoln Gakiya, um dos principais alvos do PCC e "jurado" de morte pela facção há pelo menos 20 anos. Deolane é apontada pelas investigações como integrante do PCC.
A "Operação Vérnix", chefiada por Gakiya, mira um esquema de lavagem de dinheiro da organização criminosa e foi deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo), com apoio da Polícia Civil. Deolane é apontada pelas investigações como integrante do PCC.
São cumpridos seis mandados de prisões preventivas. Além de Deolane, entre os alvos estão Marco Herbas Camacho (Marcola), que já está preso, um irmão e dois sobrinhos do homem apontado como número 1 da facção, e um investigado que seria operador financeiro do esquema, identificado como Everton de Souza, vulgo "Player".
"Morte decretada"
O promotor está há duas décadas com a "morte decretada" pela facção e há dez sob escolta policial 24 horas. O integrante do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo) é um dos principais nomes da Justiça em relação ao combate ao PCC. Gakiya recebeu a primeira ameaça de morte em 2005.
Quem é Lincoln Gakiya, promotor jurado pelo PCC e alvo de plano de execução
Gakiya foi um dos responsáveis por transferir a alta cúpula da maior organização criminosa do Brasil para presídios de segurança máxima. Além disso, já foi alvo de planos de ataque do PCC.
O papel de Deolane
Segundo os investigadores, Deolane tinha estreitos vínculos pessoais e negociais com um dos gestores fantasmas da transportadora investigada. Foi a partir do material que nasceu a "Operação Vérnix", terceira etapa da investigação. O objetivo da ação era expor ainda mais o esquema mais amplo de lavagem de capitais, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras.
As apurações apontam que a influenciadora passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando do PCC.
Deolane foi incluída na lista da Interpol antes de prisão
Os levantamentos mostraram o uso de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão. Para os investigadores, a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.
A investigação também identificou o uso de estruturas empresariais e patrimoniais sucessivas, mecanismo que teria como finalidade dificultar o rastreamento da origem, circulação e destinação dos recursos.
Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, as operações financeiras e movimentações bancárias analisadas durante as investigações não apresentaram justificativa lícita suficiente.
A "Operação Vérnix" também tem dimensão internacional. Três investigados estariam fora do país, em países como Itália, na Espanha e Bolívia. Por isso, a Polícia Civil representou pela inclusão deles na Lista Vermelha da Interpol, por meio de difusão vermelha. O objetivo é encontrá-los e adotar as providências legais contra os alvos.
Pelas redes sociais, a advogada e irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, afirmou que a nova prisão de Deolane significa uma perseguição contra a advogada. Veja nota na íntegra:
"Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos.
Acusar é fácil. Difícil é provar.
No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expões, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública...para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave.
Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.
Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome."
A CNN tenta localizar a defesa de Deolane Bezerra. O espaço está aberto para manifestações.


