Enel admite que 4,4 milhões de clientes foram afetados durante apagão em SP

Segundo a distribuidora, o número total de clientes desligados foi ´significativamente maior´ do que o informado à Aneel em dezembro

Bruna Lopes, da CNN Brasil*
Enel SP
Enel SP, responsável pela distribuição de energia elétrica na capital  • Aloisio Mauricio/FotoArena/Estadão Conteúdo
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A Enel Distribuição São Paulo informou que o total de clientes impactados pelo apagão provocado pelo ciclone extratropical que atingiu o estado em dezembro foi, na verdade, de 4,4 milhões. A empresa reconheceu que o número é “significativamente maior” do que o informado inicialmente à Agência Nacional de Energia Elétrica.

O documento retificado com essas informações foi enviado à Aneel em 19 de dezembro.

Segundo a distribuidora, o dado de 2,2 milhões de consumidores afetados — número registrado anteriormente — corresponde apenas ao pico de clientes desligados simultaneamente, e não ao volume acumulado ao longo do apagão.

A empresa afirmou ainda que, por cerca de 12 horas seguidas de ventania, equipes reconectavam consumidores enquanto outros voltavam a ser afetados, o que elevou o total de impactados na análise posterior.

O que diz a Enel

"A Enel São Paulo esclarece que, após consolidação dos dados preliminares, identificou que o número de clientes afetados pelo ciclone extratropical que atingiu a área de concessão no dia 10 de dezembro foi de 4,4 milhões de clientes, o que corresponde à soma de unidade afetadas ao longo de mais de 12 horas seguidas de fortes ventos. À medida em que a empresa reconectava clientes desligados, outros eram impactados sucessivamente com a força do vendaval. A informação foi apurada pela própria companhia pós-evento climático. A distribuidora destaca que o volume de 2,2 milhões de clientes atingidos - divulgado durante a operação de restabelecimento de energia - corresponde ao pico de instalações interrompidas simultaneamente.

O acumulado de desligamentos é apurado posteriormente, pois inclui até a análise de sistemas de automação, que registraram e religaram unidades de forma imediata, sem a intervenção de equipes em campo. Os dados foram enviados pela distribuidora à Aneel em 19 de dezembro e são auditados pela agência. A Enel reforça que os números divulgados em tempo real no mapa de energia de seu site mostram os clientes interrompidos no momento.

O fluxo das ocorrências de operação no período do ciclone e a atuação das equipes da companhia seguiram dentro de um padrão normal para eventos desse porte, com as equipes em campo atuando conforme o Plano de Atendimento a emergências da companhia. Todos os dados sobre o impacto do ciclone e sobre as ações da empresa foram fornecidos à Aneel e serão auditados pela agência."

Ciclone extratropical e notificação

O ciclone extratropical provocou rajadas de vento que chegaram a 90 km/h em diferentes pontos da Grande São Paulo, derrubando árvores, danificando a rede elétrica e afetando o trânsito na capital. Em São Paulo, o apagão deixou mais de 2 milhões (agora retificado para 4,4 milhões) de pessoas sem energia e atingiu, em alguns municípios, mais de 80% dos consumidores, segundo a Enel.

No auge do temporal, a distribuidora mobilizou 1.688 equipes em campo no dia 10. O número subiu para 1.768 no dia 11 e chegou a 1.775 no dia 12, diminuindo para 1.409 em 13 de dezembro. A Enel relatou que concentrou os serviços principalmente durante o dia para “amplificar a produtividade das equipes”.

Com milhões de clientes afetados com a falta de energia em SP, a Aneel enviou um ofício à empresa cobrando explicações sobre o episódio e questionando por que o plano de contingência não garantiu recomposição mais rápida do serviço. A agência pediu detalhes técnicos, laudos meteorológicos e a curva completa de recomposição.

O documento também mencionou a reincidência de falhas e aponta que o desempenho abaixo do esperado pode levar, em último caso, à caducidade da concessão.

Em resposta, a Enel atribuiu os desligamentos às fortes rajadas de vento e ao impacto de galhos e objetos sobre a rede elétrica e garantiu que trabalha para reforçar protocolos e ampliar a resposta a eventos climáticos extremos.

 

*Sob supervisão de Pedro Osorio