Ex-marido de PM morta desmente tenente sobre "desequilíbrio emocional"

Segundo defesa da família de Gisele Alves Santana, ela havia manifestado intenção de se separar de Geraldo Leite Rosa Neto

Giuliana Zanin, da CNN Brasil*, Adriana De Luca, da CNN Brasil, em São Paulo
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O advogado da família de Gisele Alves Santana afirmou à CNN Brasil que o depoimento do ex-marido da Policial Militar deve ajudar no pedido de prisão do tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto.

Gisele foi encontrada morta com uma arma na mão. Geraldo estava no local e disse que ela havia cometido suicídio.

"Tinham duas pessoas no local. Se ela não se matou, quem matou...", disse advogado à reportagem.

Segundo o advogado, o depoimento do ex-marido desmentiu a fala de Geraldo sobre desequilíbrio emocional e comportamento violento de Gisele e informou que a filha da soldado já havia reclamado do padrasto.

Ainda segundo a defesa, o ex-marido mencionou que Gisele já havia informado pedido de separação de Geraldo e que filha estava contente por voltar a morar com os avós.

No dia anterior à morte de Gisele, a filha disse ao pai que estava sofrendo e já relatou em outros momentos certo desconforto na casa em que morava com a mãe e o padrasto.

O pai da criança contestou a possibilidade de suicídio por parte de Gisele e destacou que a mulher era uma mãe dedicada.

A CNN Brasil tenta contato com a defesa de Geraldo e aguarda retorno.

Relembre: contradições na cena do crime

Gisele, de 32 anos, foi encontrada morta na manhã de 18 de fevereiro no apartamento em que morava com o marido, o tenente-coronel, Gerado Leite Rosa Neto. Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência passou a ser investigada como morte suspeita e, posteriormente, a Justiça encaminhou o caso ao Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes contra a vida, como feminicídio.

Agentes do Corpo de Bombeiros que realizaram o primeiro atendimento relataram estranheza com a configuração do local: Gisele foi encontrada caída na sala, mas não havia cápsula de munição próxima ao corpo.

Além disso, testemunhas afirmaram que o marido apresentava mãos e corpo completamente limpos e que ele insistiu em tomar banho e trocar de roupa no apartamento antes de seguir para o distrito policial, contrariando orientações de preservação do local.

Familiares da vítima informaram que Gisele vivia em um relacionamento abusivo e que Geraldo a proibia de usar maquiagem e determinadas roupas. A Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo investiga denúncias de perseguição, intimidação e ameaças proferidos pelo tenente-coronel contra a esposa.