Greve: CPTM diz que sindicato descumpre decisão da Justiça de frota mínima

Declaração foi feita por presidente da companhia em comunicado sobre as medidas adotadas para diminuir os impactos da paralisação parcial dos serviços das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade de trem; sindicato não respondeu

Giuliana Zanin, da CNN Brasil*, em São Paulo
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O presidente da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), Michael Cerqueira, disse que o percentual de frota mínima imposta pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho) após a decretação da greve pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil não está cumprido na manhã desta terça-feira (4).

A declaração foi feita em um comunicado à imprensa sobre as medidas adotadas para diminuir os impactos da paralisação parcial dos serviços das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade de trem.

Em nota, o governo confirmou o descumprimento da determinação judicial, afirmando que a operação ficou abaixo do efetivo mínimo no horário com maior circulação de pessoas, e lamentou a continuidade da greve.

O que diz o sindicato?

Luiz Júnior, diretor executivo do sindicato, afirma que a motivação da greve vai além de uma "reclamação trabalhista". "O que está em jogo é o transporte de qualidade de São Paulo", disse em entrevista à imprensa.

O sindicalista afirma que sugeriu ao governo do Estado que os funcionários voltassem ao trabalho se a CPTM proporcionasse catraca livre nas estações para a população. A partir disso, os sindicalistas continuariam negociando com os órgãos envolvidos, "para que ninguém seja prejudicado".

Sobre a multa relacionada ao descumprimento da medida judicial, o diretor executivo considerou a ação "controversa", uma vez que, para eles, o percentual do efetivo está sendo seguido.

A CPTM reforçou que não há nenhuma demissão em curso no processo de concessão e que a manutenção dos empregos foi garantida pelo governo às lideranças do sindicato — termo registrado em ata da reunião realizada no dia 3.

Segundo o governo, dos 4.648 funcionários, 2.171 estão na Linha 10-Turquesa e os demais foram realocados para o Metrô, Artesp, Arsesp e outros órgãos.

Veja fala do presidente:

Acordos

Após a assembleia realizada na noite de segunda (3) pelo sindicato, que decidiu pela greve nesta terça, a CPTM recorreu ao TRT, que determinou o funcionamento parcial do efetivo.

Ficou acordado que, nos horários de pico, as linhas operassem com 80% da frota e, nos demais períodos, com 60%. Caso haja descumprimento, está prevista a aplicação de uma multa diária de R$ 400 mil ao sindicato.

A categoria realiza a greve para contestas a concessão dos trechos ferroviários à empresa Trivia Trens e exigir a manutenção dos empregos dos funcionários da CPTM.

Plano de contingência

O governo de São Paulo acionou um plano de contingência para conter os reflexos da paralisação parcial dos serviços de trem.

A CPTM priorizou o atendimento dos trechos com maior demanda das linhas afetadas. Veja:

  • Linha 11-Coral está operando entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Guaianases;
  • Linha 12-Safira está operando entre as estações Brás e Engenheiro Goulart.

A Linha 13-Jade e o Expresso Aeroporto não estão operando.

No Metrô, o atendimento das linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata foi adiantado para às 4h. A empresa também aumentou as operações nas regiões com maior demanda, como as estações Corinthians-Itaquera, Tatuapé, Brás e Palmeiras-Barra Funda.

O sistema Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência) foi acionado e deve atender os passageiros que utilizam as linhas de trem atingidas.

Na Linha 11-Coral, os ônibus atendem todas as estações entre Estudantes e Corinthians-Itaquera. Na Linha 12-Safira, o serviço opera entre São Miguel Paulista e Calmon Viana, assim como entre as estações Aeroporto-Guarulhos e Engenheiro Goulart atendidas pela Linha 13-Jade.

A Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízios de carros durante o dia.

O policiamento também foi reforçado nos entornos das estações ferroviárias, dos terminais de ônibus e nas regiões com maior circulação de pessoas.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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