"Indícios de empresa de fachada", diz MP sobre investigação no Corinthians

Além do caso VaideBet, o Ministério Público agora apura os crimes de estelionato, furto qualificado, falsidade ideológica e associação criminosa ligados à gestão de Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves

Thiago Félix, Raul Moura e Thomaz Coelho, da CNN, São Paulo
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O Ministério Público de São Paulo abre investigação sobre a gestão do ex-presidente do Corinthians, Duilio Monteiro Alves, e agora apura, além de apropriação indébita, os crimes de estelionato, furto qualificado, falsidade ideológica e associação criminosa.

A apuração foi motivada por documentos e reportagens que indicam o uso do cartão corporativo do clube para pagamentos que não teriam relação com os interesses do Corinthians.

Segundo o promotor Cassio Roberto Conserino, há “indício de empresa de fachada”, referindo-se a compras feitas na OLIVEIRA MINIMERCADO, que movimentou mais de R$ 32 mil em uma única quinzena de outubro de 2023.

No endereço registrado da empresa, segundo o MP, não há indícios de comércio funcionando, o próprio promotor esteve no local comprovando que se tratava de um endereço 'fantasma'. 

Além disso, o promotor citou gastos com lanchonetes, casas de chá e até babyliss, além de pagamentos feitos a pessoas físicas sem detalhamento do serviço prestado. Um dos alvos da investigação é Denilson Grillo, vulgo "Carioca", motorista de Duilio, cuja assinatura consta nos documentos de prestação de contas.

O MP também recomenda a investigação sobre o uso do cartão vinculado ao clube para comprar de despesas pessoais, na gestão do presidente Andrés Sanchez.

Tem indício de empresa de fachada. Para utilização do cartão corporativo, tem que ter interesse do clube. Finalidade do clube. Me parece que Babyliss não é interesse.
promotor Cassio Roberto Conserino

Outro lado

Em nota enviada à CNN, o Corinthians informou que "recebeu com satisfação" a notícia de que o Ministério Público instaurou procedimento para apurar o uso indevido de cartões corporativos.

O ex-presidente Duilio Monteiro Alves declarou que apresentará notícia-crime à polícia contra a circulação de documentos falsificados que estariam sendo atribuídos à sua gestão. Duilio também pediu ao Conselho Deliberativo que apure a origem dos documentos e reforçou seu compromisso com a transparência.

Já a defesa do ex-presidente Andrés Sanchez afirma que ele entregou o cartão corporativo ao fim de seu mandato e que todas as despesas pessoais foram reembolsadas. Alega ainda que o nome de Andrés tem sido usado indevidamente pela gestão de Augusto Melo.