Justiça nega recurso e Marçal deve pagar R$ 2,4 mi por morte de funcionário

Técnico Celso Guimarães Silva, de 49 anos, morreu após descarga elétrica em estúdio do empresário em Alphaville, em 2023

Guilherme Gama, da CNN Brasil, em São Paulo
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A segunda turma do TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região), por unanimidade, negou o recurso do político e empresário Pablo Marçal contra a condenação em quase R$ 2 milhões pelo acidente de trabalho que levou a morte de Celso Guimarães Silva, de 49 anos, durante a prestação de serviço para a empresa Marçal Participações LTDA, divulgado com exclusividade pela CNN

O julgamento aconteceu de modo virtual em outubro deste ano, após o influenciador questionar a validade dos argumentos da família da vítima e foi publicada nesta terça-feira (21). A desembargadora e relatora do caso Cândida Alves Leão entendeu que o testemunho de um dos funcionários é valido e que, apesar de trabalharem juntas esporadicamente, não se entende amizade intima, o que invalidaria o testemunho — argumento da defesa de Marçal.

A Justiça ainda entendeu que o recurso foi protelatório, ou seja, usado para postergar o andamento do processo, e aplicou uma multa a empresa. Com a multa e a indenização por danos morais e materiais — e correções monetárias — a Marçal Participações deve pagar cerca de R$ 2,4 milhões de reais a advogados e família. Celso deixou esposa e três filhos. 

A condenação cabe recurso no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A CNN entrou em contato com a assessoria de Pablo Marçal e não obteve retorno até o momento de publicação dessa reportagem. O espaço segue aberto.

O acidente de trabalho

O profissional especializado nas instalação elétrica em estúdios de produção audiovisual trabalhava na desmontagem de cinema em Alphaville, bairro nobre dos municípios de Barueri (SP) e Santana de Parnaíba (SP), quando sofreu uma descarga elétrica e caiu no chão de uma altura de 4 metros em junho de 2023. 

A vítima foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levada para o Hospital Municipal de Barueri — e não resistiu aos ferimentos.

Um laudo pericial da Polícia Civil apontou que o ambiente de trabalho era inseguro, devido à fiação elétrica exposta e sem isolamento e pela ausência ou falta de estrutura para uso correto de equipamentos de segurança

A condição insegura do trabalho foi constatada também pelo relato da vítima por meio de vídeo no hospital e pelo depoimento de funcionários que presenciaram o acidente, segundo a Justiça. 

O processo, que corre em segredo de justiça, teve a sentença improcedida em primeira instância, na 5ª Vara Do Trabalho De Barueri, e foi reformado a segunda turma do TRT2, após o advogado da família especialista em indenização, Eduardo Barbosa, recorrer à Justiça. 

Celso Guimarães era conhecido entre seus colegas de profissão e trabalhou como maquinista em vários filmes de sucesso, como em Tropa de Elite (2007). Questionado pela CNN sobre o processo, o advogado da família de Celso, Eduardo Lemos Barbosa, disse não ter nada a declarar

Marcal Participacoes Ltda

Na época da condenação em segunda instância, divulgada com exclusividade pela CNN, o empresário disse: “Uma vergonha! O processo é de uma empresa de locações. Quem foi condenada foi a empresa e não eu."

Marçal é sócio na empresa condenada pela Justiça. A “Marcal Participacoes Ltda” foi criada em março de 2020, em sociedade dele com a esposa dele, Ana Carolina de Carvalho Marçal. A empresa atua com locação de imóveis.