Manual do crime: grupo criou cartilha para aplicar golpe do falso advogado

Operação mira quadrilha que produziu material detalhando passo a passo de como abordar vítimas, simular ligações jurídicas e forjar documentos

Gabriela Milanezi e Renan Fiuza, da CNN, em São Paulo
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Dois homens foram presos em São Paulo nesta terça-feira (15), durante uma ação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, suspeitos de coordenar a logística de uma quadrilha especializada no golpe do “falso advogado”.

Além disso, a mãe de um dos presos também foi detida durante a operação pois constava um mandado de prisão em aberto contra ela.

Durante a investigação, os agentes encontraram uma espécie de “cartilha do golpe” — um material detalhado que ensinava passo a passo como abordar vítimas, simular atendimentos jurídicos por telefone e até forjar documentos. O objetivo era treinar e expandir a rede de criminosos. Veja abaixo:

Segundo o delegado João Vitor Heredia, o mentor do esquema exigia uma porcentagem sobre cada valor arrecadado com os golpes, numa espécie de “taxa de franquia do crime”.

As prisões aconteceram durante a segunda fase da Operação Falso Patrono, deflagrada pelo DERCC (Departamento Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos) do Rio Grande do Sul, com apoio da Polícia Civil de São Paulo.

Como funcionava o golpe

O golpe do “falso advogado” se baseava no vazamento de dados judiciais. Os criminosos monitoravam processos de indenizações e, em seguida, entravam em contato com as vítimas se passando por representantes de escritórios de advocacia.

A falsa promessa era de que havia valores disponíveis para saque, mas que seria necessário pagar supostas taxas, impostos ou custas processuais — quase sempre via PIX. Para dar ainda mais credibilidade, alguns golpistas chegavam a marcar videochamadas com as vítimas.

Fraude fez mais de 1,5 mil vítimas no RS; conta de suspeito movimentou R$ 1 milhão

Segundo a Polícia Civil, o esquema fez pelo menos 1.500 vítimas no Rio Grande do Sul. Os prejuízos financeiros variavam de R$ 1 mil a quantias significativamente mais altas.

De acordo com o delegado João Vitor Heredia, apenas uma das contas bancárias controladas por um dos presos já registrava a movimentação de R$ 1 milhão, valor considerado ilícito e diretamente ligado ao golpe.

OAB-RS: criminosos não eram advogados

A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Rio Grande do Sul, informou que nenhum dos envolvidos era advogado regularmente inscrito na entidade.

A OAB-RS vem colaborando com as investigações e reforçou que, até o momento, não há qualquer indício da participação de advogados de verdade no esquema.