PCC usou pessoas em vulnerabilidade em esquema de combustíveis

Investigação do Gaeco e Receita Federal revela que organização criminosa também utilizava parentes e detentos para viabilizar desvio de nafta e sonegação milionária

Beto Souza, da CNN Brasil, em São Paulo
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Um dos objetivos da Operação Fluxo Oculto, deflagrada pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo) na manhã desta quinta-feira (28), é apurar a existência de um núcleo que utilizava parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos para a abertura de empresas de fachada.

A investigação, que é desdobramento da Operação Carbono Oculto, apura o envolvimento do PCC (Primeiro Comando da Capital) no mercado de combustíveis.

A operação cumpre 59 mandados de busca e apreensão, em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Mato Grosso do Sul.

O uso de "laranjas"

De acordo com as investigações, as empresas de fachada eram constituídas em nome dessas pessoas vulneráveis para simular a compra de nafta petroquímica.

O movimento envolvia o desvio do material e a sua destinação industrial. Ao contrário do que se declarava, o solvente era destinado para postos e terminais na Grande São Paulo para adulterar combustíveis.

A organização aproveitava vantagens tributárias da nafta para gerar um prejuízo de R$ 200 milhões em impostos sonegados em apenas dois anos.

Veja: como funciona "ecossistema criminoso"  do PCC no mercado de combustíveis?

Papel das fintechs e a lavagem de dinheiro

Os lucros da fraude eram lavados por meio de seis fintechs que funcionavam como "bancos paralelos", movimentando R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025.

Leia também: Veja como funcionava esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis

O esquema fazia o uso de contas bolsão e depósitos em espécie para ocultar a destinação final daqueles que recebiam o dinheiro, que também era remetido para fundos de investimento, que tiveram valorização de 200% em pouco mais de um ano.

O mecanismo utilizava as chamadas "contas bolsão", que centralizavam e dispersavam recursos ilícitos para dificultar o rastreamento pelas autoridades e ocultar os beneficiários finais.

De acordo com a Receita Federal, houve registro de depósitos em espécie superiores a R$ 1 bilhão em uma única instituição, prática incomum para a natureza dessas empresas.