Propina e PCC: Quem é a família acusada de liderar a Favela do Moinho
Operação do MPSP aponta que esquema de tráfico e coerção era mantido por familiares de "Leo do Moinho"
A Operação Sharpe, deflagrada na segunda-feira (8) pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo) com o apoio policial, apontou conexão entre a família Moja e a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) na Favela do Moinho, localizada no Centro de São Paulo.
A ação, coordenada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo), visa desmantelar uma rede criminosa que, mesmo após a prisão de Leonardo Monteiro Moja, conhecido como "Leo do Moinho" e apontado como líder do grupo, continuava a operar um robusto esquema de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e coerção contra moradores e até agentes públicos.
As investigações do MPSP apontam que "Leo do Moinho", embora detido pela Operação Salus et Dignitas, mantinha seu status de chefe da facção na Favela do Moinho.
Do presídio, ele seguia emitindo ordens, inclusive para intimidar funcionários da CDHU. O líder, segundo as investigações, utilizava uma complexa estrutura de imóveis e estabelecimentos comerciais na comunidade para facilitar o tráfico de drogas e disfarçar a lavagem de dinheiro, garantindo a continuidade do domínio do PCC na área.
Líder comunitária
Um dos alvos centrais da Operação Sharpe é Alessandra Moja Cunha, irmã de "Leo do Moinho", que foi novamente presa. Com uma condenação prévia por homicídio qualificado em 2005, Alessandra desempenhava um papel crucial na organização criminosa, segundo a denúncia.
De acordo com o MPSP, ela presidia a "Associação de Moradores da Favela do Moinho", utilizando o cargo para mobilizar manifestações estratégicas, visando "blindar" a comunidade contra intervenções policiais.
Além disso, Alessandra é acusada de auxiliar o irmão em suas "empreitadas criminosas" e de gerenciar o "Ferro-Velho Moinho", que servia de fachada para as atividades ilícitas.
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A operação revelou que Alessandra e outros membros cobravam propina de famílias envolvidas em acordos de reurbanização com a CDHU, condicionando a liberação de cadastros e assinaturas ao pagamento exigido.
A presença digital de Alessandra Moja nas redes sociais, com postagens que abrangem o período de 2018 a 2025, traça o perfil de uma pessoa profundamente engajada com projetos sociais na comunidade da Favela do Moinho.
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Outros envolvidos e o poder do PCC no Moinho
A rede criminosa se estende a outros membros da família, segundo o MPSP. Yasmin Moja Flores, filha de Alessandra e sobrinha de "Leo do Moinho", também foi detida sob a suspeita de ser uma líder na comunidade.
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As investigações indicam que ela residia em um dos imóveis de "Leo" utilizado especificamente para o armazenamento de produtos ilícitos. O marido de Alessandra, Roberto, foi preso em flagrante com drogas encontradas em sua residência durante a operação.
A Favela do Moinho é definida pelo MPSP como um ponto estratégico que auxilia como "fonte de abastecimento de drogas e centro de comando", sendo vital para a organização do PCC na região central da capital paulista.
Pelas redes sociais, a Associação de Moradores da Favela do Moinho afirmou que Alessandra foi vítima de tortura durante a prisão e que foi "forjado um flagrante com drogas". A postagem também acusa a operação de tentar enfraquecer os movimentos sociais.
A CNN tenta contato direto com a defesa dos citados.


