Simulação mostra tudo o que aconteceu na queda da Voepass do início ao fim
Investigação aponta distração dos pilotos e sistema de degelo desligado como causas do acidente em Vinhedo

O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) apresentou, nesta quinta-feira (23), uma simulação do voo da Voepass que caiu em Vinhedo (SP) em agosto de 2024.
O vídeo foi exibido junto do relatório final da investigação sobre as possíveis causas que contribuíram para o acidente.
O relatório aponta que os pilotos conversavam sobre questões pessoais no momento da queda da aeronave. Na ocasião, os profissionais teriam esquecido de ligar o sistema de degelo, mesmo após alertas emitidos pelo avião.
A declaração foi dada pelo tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, que participou das investigações.
O Cenipa analisou 1.206 voos feitos entre agosto de 2023 até o dia da queda. O relatório final reúne as conclusões da investigação técnica conduzida pela FAB (Força Aérea Brasileira) para identificar os fatores que contribuíram para o acidente.
Veja vídeo
A tragédia
O voo 2283 da VoePass decolou de Cascavel (PR) na tarde de 9 de agosto de 2024 com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. Durante a aproximação de São Paulo, o ATR 72-500 perdeu rapidamente sustentação e caiu em um condomínio residencial em Vinhedo, no interior paulista.
Os primeiros dados da investigação mostraram que a aeronave enfrentava condições severas de formação de gelo. O piloto chegou a relatar problemas no sistema de degelo, enquanto os gravadores registraram alertas como Cruise Speed Low e Degraded Performance, indicando perda progressiva de desempenho da aeronave.
As 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e quatro tripulantes — morreram.
O que diz a Anac e Voepass
Em nota enviada à CNN Brasil, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informou que iniciará a etapa de análise técnica detalhada das conclusões apontadas e das recomendações relacionadas às competências da Anac.
"As investigações conduzidas pelo Cenipa têm caráter exclusivamente preventivo e não se destinam à atribuição de culpa ou responsabilização, mas à identificação de fatores que contribuíram para o acidente e de recomendações para aprimorar o sistema de segurança operacional da aviação civil", diz a nota.
Em nota, a Voepass afirmou que desde o momento do acidente, a empresa esteve solidária às famílias. Além disso, a empresa ressaltou que durante as investigações, atuou de forma transparente junto ao Cenipa e às autoridades públicas.
"Em mais de 30 anos de operações na aviação brasileira, a companhia jamais havia enfrentado uma situação como essa. Ao longo de três décadas, sempre adotou procedimentos sérios de segurança, capacitação e orientação de tripulação", diz texto.


