SP: Grupo coopta funcionários para aplicar golpe bilionário em financeira

Oito pessoas foram presas nesta terça-feira (9) por envolvimento com o esquema

Bruno Teixeira, da CNN Brasil, em São Paulo
Viaturas da Polícia Civil de São Paulo  • Polícia Civil de São Paulo
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A quadrilha responsável por um golpe bilionário contra clientes de uma empresa pagamentos utilizou acessos de funcionários da financeira para cometer os crimes.

Segundo a PCESP (Polícia Civil do Estado de São Paulo), esses funcionários eram cooptados por criminosos para fornecerem seus acessos. Oito pessoas foram presas, nesta terça-feira (9), por envolvimento com uma empresa beneficiaria do esquema.

O esquema de fraude, que ocorreu por aproximadamente dois anos, foi descoberto quando a empresa de pagamentos, vítima da fraude, identificou irregularidades em seus sistemas. Clientes reportavam que os pagamentos que foram feitos não estavam sendo reconhecidos.

“E ela (empresa) detectou nesse primeiro momento que haviam sido o utilizadas, credenciais de alguns funcionários, mas que foram usados indevidamente por terceiros. Então, funcionários tinham sido cooptados por criminosos para fornecer essas credenciais e logo em seguida nessas transações eram efetuadas as transferências”, declarou o delegado Christian Nimoi, da 2ª DCCiber (Delegacia de Crimes Cibernéticos) do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais).

Ainda conforme as investigações, os criminosos desviavam valores dos pagamentos (como de boletos) ou de empréstimos, que nunca chegavam ao verdadeiro destinatário. Estima-se que os suspeitos movimentaram cerca de R$ 6,8 bilhões no período.

A empresa de pagamentos, para proteger a sua reputação, restituiu os clientes, arcando com o prejuízo total da fraude.

Além disso, um escritório de contabilidade localizado na zona sul de São Paulo também teria participação no esquema, ajudando a efetuar alterações societárias — como mudar nomes de sócios e da empresa — para dificultar a investigação e evitar que os verdadeiros beneficiários fossem descobertos.

Uma das empresas investigadas, que dá nome à operação (Azimute), movimentou quase R$ 1 bilhão em pouco tempo, o que sugere a ocorrência de lavagem de dinheiro, confirmada através de relatórios do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).