SP registra recorde de feminicídios entre janeiro e setembro deste ano

Total de feminicídios registrados nos primeiros nove meses do ano aumentou ano a ano, com exceção de 2021; fevereiro e março tiveram os maiores números

Thomaz Coelho, da CNN Brasil, em São Paulo

O estado de São Paulo registrou 188 feminicídios entre janeiro e setembro de 2026, segundo dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública) divulgados na última sexta-feira (30).

O número é o maior para os nove primeiros meses do ano desde 2018, início da série histórica. Na comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 185 casos, houve aumento de três registros, equivalente a 1,6%.

O total de feminicídios registrados nos primeiros nove meses do ano aumentou nos últimos anos, com exceção de 2021. Em 2018, foram 95 ocorrências no período. O número passou para 107 em 2019 e chegou a 123 em 2020. Em 2021, houve redução para 107 registros.

A partir de 2022, os números voltaram a subir. Naquele ano, foram contabilizados 132 feminicídios entre janeiro e setembro.

  • Em 2023, o total chegou a 166, aumento de 25,8% em relação ao ano anterior;
  • Em 2024, foram 176 casos, crescimento de 6%;
  • Em 2025, o estado registrou 185 ocorrências, alta de 5,1% na comparação com 2024.

Com os 188 casos contabilizados em 2026, o total ficou 97,9% acima do registrado em 2018, considerando os mesmos nove meses de cada ano. A comparação considera apenas os dados de janeiro a setembro.

Registros por mês

Em 2026, fevereiro e março tiveram os maiores números de feminicídios, com 30 registros em cada mês. Janeiro contabilizou 27 ocorrências. Nos meses seguintes, foram registrados 20 casos em abril, 18 em maio e 17 em junho. Julho teve nove registros, enquanto agosto e setembro contabilizaram 19 e 18 casos, respectivamente.

Na comparação com os mesmos meses de 2025, os registros aumentaram em cinco dos nove meses analisados. Em janeiro, foram 27 feminicídios em 2026, ante 22 no ano anterior. Em fevereiro, o total passou de 20 para 30. Março teve 30 casos, contra 19 em 2025.

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Nos meses seguintes, houve redução. Em abril, foram 20 registros em 2026, ante 21 em 2025. Em maio, o número passou de 26 para 18; em junho, de 21 para 17. Julho apresentou a maior diferença entre os dois anos, com nove casos em 2026 e 24 em 2025.

Em agosto, os registros voltaram a subir na comparação anual, passando de 15 em 2025 para 19 em 2026. Em setembro, foram 18 ocorrências, uma a mais que as 17 contabilizadas no mesmo mês do ano anterior.

Comparação entre os anos

Considerando o acumulado de janeiro a setembro, São Paulo registrou:

  • 95 feminicídios em 2018;
  • 107 feminicídios em 2019;
  • 123 feminicídios em 2020;
  • 107 feminicídios em 2021;
  • 132 feminicídios em 2022;
  • 166 feminicídios em 2023;
  • 176 feminicídios em 2024;
  • 185 feminicídios em 2025;
  • 188 feminicídios em 2026.

A maior variação percentual entre dois anos consecutivos da série ocorreu de 2022 para 2023, quando o total passou de 132 para 166 casos, aumento de 25,8%. Entre 2021 e 2022, a alta foi de 23,4%, com 25 registros a mais. Já entre 2020 e 2021, houve redução de 13%, de 123 para 107 ocorrências.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo foi procurada pela CNN Brasil para comentar os dados e informar quais medidas estão em andamento para prevenir e combater os feminicídios no estado. Veja nota na íntegra:

O enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do Governo de São Paulo, que mantém uma política integrada de prevenção, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores. Entre janeiro e setembro deste ano, foram realizadas 96 prisões em flagrante por feminicídio. No mesmo período, as prisões em flagrante por violência doméstica aumentaram 28,5%, chegando a 17.082. Desde o início da atual gestão, cerca de 64 mil pessoas foram presas em flagrante por violência doméstica.

Nos primeiros nove meses de 2026, mais de 115,7 mil medidas protetivas foram solicitadas e encaminhadas à Justiça, crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. Na atual gestão, a rede de atendimento policial especializado cresceu 87%, passando de 202 para 379 unidades, entre Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e salas especializadas. Atualmente, são 144 DDMs, das quais 39 funcionam 24 horas, além de 240 salas DDM. Desde 2023, as equipes das delegacias especializadas foram reforçadas com 774 novos policiais.

A Cabine Lilás, da Polícia Militar, já realizou mais de 39 mil atendimentos especializados, que resultaram em 157 prisões em flagrante por descumprimento de medidas protetivas. O aplicativo SP Mulher Segura reúne 89,1 mil usuárias e contabiliza 23,1 mil acionamentos do botão do pânico. Já o Transporte Seguro realizou 1,3 mil viagens para encaminhamento de vítimas a serviços de proteção.

A rede também conta com a Patrulha SP Mulher Segura, o monitoramento eletrônico de agressores e as Salas Lilás dos Institutos Médicos Legais, que oferecem acolhimento reservado às vítimas. As ações são complementadas por iniciativas integradas de proteção, qualificação profissional e autonomia financeira das mulheres.

Em situações de emergência, a orientação é acionar o telefone 190. Denúncias e pedidos de ajuda também podem ser feitos pela DDM Online e pelo aplicativo SP Mulher Segura.