Adriana De Luca
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Adriana De Luca

Paulistana, nascida e criada na Zona Leste. Há mais de 15 anos cobre segurança pública. Explica investigações e crime organizado para além dos fatos

SP: Feminicídios caem 17% na capital, mas interior tem alta de 22% em 2026

Enquanto São Paulo e Grande São Paulo registram redução nos casos, interior concentra aumento de 20 feminicídios entre janeiro e agosto, segundo dados da SSP

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A cidade de São Paulo registrou queda de 17% no número de feminicídios entre janeiro e agosto de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 34 casos neste ano, contra 41 em 2025, segundo dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública).

O resultado, porém, não se repete em todas as regiões do estado. No interior, os feminicídios aumentaram 22,2% no período: foram 110 casos nos primeiros oito meses de 2026, contra 90 no mesmo intervalo do ano passado.

Na Grande São Paulo, que reúne 38 municípios, também houve redução. O número de feminicídios caiu de 35 para 25 casos, uma diminuição de 28,6%.

Os dados mostram cenários distintos dentro do estado: enquanto capital e Grande São Paulo registraram redução, o interior concentrou uma alta de 20 casos no período analisado.

Prisões por violência doméstica aumentam

O número de prisões e apreensões relacionadas à violência doméstica cresceu nas três regiões.

Na capital, foram 2.487 prisões ou apreensões entre janeiro e agosto, contra 1.865 no mesmo período de 2025. O aumento foi de 33,4%.

Na Grande São Paulo, o número passou de 1.580 para 2.070, alta de 31%. Já no interior, foram 10.286 prisões ou apreensões neste ano, ante 8.240 no ano passado — crescimento de 24,8%.

Os dados incluem flagrantes e cumprimentos de mandados relacionados a agressores. O aumento das prisões, portanto, não pode ser interpretado isoladamente como uma medida da evolução da violência contra a mulher, já que também está relacionado à atuação das forças de segurança e à quantidade de ocorrências que chegam às autoridades.

Cenário ainda é desigual

A queda dos feminicídios na capital ocorre em paralelo à ampliação de mecanismos de atendimento e proteção às mulheres vítimas de violência.

Segundo a SSP, o estado possui 144 DDMs (Delegacias de Defesa da Mulher), sendo 35 com funcionamento 24 horas, além de Salas DDM instaladas em delegacias convencionais.

A Polícia Militar também mantém a Cabine Lilás, que direciona para policiais femininas chamadas relacionadas a casos de violência doméstica recebidas pelo 190. As agentes podem orientar as vítimas sobre medidas protetivas, direitos e serviços disponíveis.

Outra ferramenta é o aplicativo SP Mulher Segura, que permite o registro de boletins de ocorrência pela internet e oferece mecanismos de atendimento e proteção.

Apesar da estrutura, os números revelam que a evolução dos casos não é uniforme no estado. A redução observada na capital e na Grande São Paulo convive com uma alta significativa dos feminicídios no interior.

A diferença regional reforça que a violência contra a mulher não tem um único padrão e exige respostas que considerem também as características e as dificuldades de acesso à rede de proteção em cada território.