Veja o que se sabe sobre os ataques a ônibus em São Paulo

Em todo o estado, 580 casos de vandalismo contra veículos do transporte coletivo de São Paulo foram constatados

Felipe Souza, da CNN, em São Paulo
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Em um novo balanço da SPTrans, divulgado nesta quinta-feira (10), 580 casos de vandalismo contra veículos do transporte coletivo de São Paulo foram constatados em todo o estado.

Segundo os dados, os ataques começaram a ser contabilizados no dia 12 de junho, predominantemente por meio de apedrejamentos e vandalismo. Somente nos últimos 13 dias, cerca de 130 casos foram registrados, uma média de 10 ataques por dia.

Após o 235° ataque, a Polícia Militar iniciou a "Operação Impacto", na última quinta-feira (3), visando ampliar a segurança de passageiros e motoristas, além de monitorar os corredores, terminais e garagens de ônibus. E, uma semana depois, uma nova fase da operação, intitulada "Mega Operação Impacto" começou na região de Osasco, focada em reforçar o policiamento e inibir os atos de vandalismo.

Complementando as ações da Polícia Militar, o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) e a Delegacia Seccional de Santos iniciaram uma investigação sobre a onda de ataques, realizando um monitoramento cibernético e contato direto com a SPTrans para obter informações que auxiliem a constatação dos fatos.

Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), inicialmente, o padrão dos ataques era considerado "atípico", em função das várias empresas atingidas, em diferentes regiões e horários.

"Por ora, afastamos a hipótese de envolvimento de facções criminosas", disse o delegado Ronaldo Sayeg.

Durante a primeira fase da operação, oito pessoas foram presas, até a tarde do último sexta-feira (4). Durante o fim de semana, outras três pessoas foram presas, e um menor apreendido, sendo um dos presos o filho de um dos motoristas da SPTrans, Everton de Paiva Balbino, indiciado por tentativa de homicídio de uma passageira e danos ao patrimônio.

As investigações também reforçaram a tese de que os atos de vandalismo podem ter sido motivados pela rivalidade e a disputa por espaço entre empresas de ônibus. Outra hipótese investigada pelo Deic é a realização de desafios na internet.

A Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) disse em nota que "as empresas e concessionárias quanto aos procedimentos para o registro das ocorrências e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.". A empresa também afirmou monitorar a situação.

Em orientação às concessionárias, a SPTrans disse que as empresas comuniquem a Central de Operações e formalizem as ocorrências junto às autoridades policiais.

"Cabe ressaltar que a empresa é obrigada a encaminhar o veículo para manutenção, substituindo-o por outro da reserva técnica, que realizará a próxima viagem programada, garantindo a continuidade do serviço prestado aos passageiros.", reforçou a SPTrans sobre penalidades por viagens não realizadas.

Um relatório da Polícia Civil aponta que três empresas concentram a maioria dos ataques a ônibus registrados na cidade de São Paulo desde o início de junho. Os dados demonstram que os maiores alvos são a Mobibrasil, com 40 ocorrências, a Transppass, com 28, e a Viação Grajaú, com 26 ônibus danificados. A maioria dos casos aconteceu nas zonas Sul e Oeste da capital.