Vídeo: polícia usa marreta para abrir porta durante operação contra Refit

Ação mirou grupo classificado pela Receita Federal como o maior devedor de impostos do país, com débitos fiscais superiores a R$ 26 bilhões

Carolina Figueiredo, da CNN Brasil, Julia Farias, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo
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Um vídeo obtido pela CNN Brasil mostra o momento em que policiais usaram uma marreta para abrir a porta de um dos locais alvo da megaoperação interestadual contra um esquema bilionário de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

O grupo Refit, alvo da operação, é classificado pela Receita Federal como o maior devedor de impostos do país, com débitos fiscais superiores a R$ 26 bilhões, tendo movimentado mais de R$ 70 bilhões em um ano por meio de complexas operações financeiras.

No vídeo é possível visualizar o momento em que um dos agentes bate a ferramenta contra a porta, que abre com o impacto. Assista:

A Receita Federal aponta que o grupo investigado mantém relações financeiras com empresas e pessoas ligadas à Operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025, que investiga a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) e fraudes no setor de combustíveis.

As fraudes permeiam toda a cadeia, desde a importação de combustíveis com falsa declaração de conteúdo até a evasão reiterada de tributos em distribuidoras e postos vinculados à organização.

Operação Poço de Lobato

Segundo o MPSP (Ministério Público de São Paulo), mais de 621 agentes de segurança pública cumprem 126 mandados de busca e apreensão em seis estados e no Distrito Federal: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Maranhão.

A ação é resultado de uma investigação existente no âmbito do CIRA-SP (Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos) em parceria com a Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional para apurar a existência de organização criminosa formada por sócios, diretores, administradores e outros integrantes de empresas supostamente envolvidas com fraude fiscal estruturada de ICMS.

Grupo Refit teria relação com investigados em esquema do PCC, diz polícia

CNN Brasil apurou que a fraude superou o prejuízo de R$ 9 bilhões apenas ao estado de São Paulo, entres os anos 2007 e 2024.

Os auditores da Receita também identificaram que o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em apenas um ano, utilizando empresas próprias, fundos de investimento e offshores — incluindo uma exportadora fora do Brasil — para ocultar e blindar lucros.

O órgão federal apontou ainda a organização como uma "devedora contumaz", que se aplica a quem deixa de pagar tributos de forma reiterada e deliberada, acumulando dívidas que não decorrem de atrasos pontuais, mas de uma prática contínua de descumprimento das obrigações fiscais.

Em nota, o Grupo Refit afirma que as dívidas de impostos apontadas pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo são questionadas judicialmente pela empresa. Leia abaixo na íntegra:

"A Refit esclarece que os débitos tributários apontados pela Secretaria da Fazenda de São Paulo, que serviu como base para a operação Poço de Lobato estão sendo questionados pela companhia judicialmente — exatamente como fazem inúmeras empresas brasileiras que divergem de uma cobrança tributária, incluindo a própria Petrobras, maior devedora do Estado do Rio de Janeiro.

Trata-se, portanto, de uma disputa jurídica legítima e não de qualquer tentativa de ocultar receitas ou fraudar o recolhimento de tributos. Todos os tributos estão devidamente declarados, portanto não havendo que se falar em sonegação.

É lamentável que as autoridades constituídas permitam ser levadas a erro pelo cartel das distribuidoras personificado no Instituto Combustível Legal".