Homem suspeito de homicídio e estupro de vulnerável em 2006 é preso no PR

Giovanna dos Reis Costa, de 9 anos, foi encontrada morta em um terreno baldio com sinais de violência sexual e morte por asfixia mecânica

Bruna Lopes, da CNN Brasil*, em São Paulo
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A PCPR (Polícia Civil do Paraná) prendeu em flagrante, nesta quinta-feira (19), um homem de 55 anos, suspeito de ter sido o autor do assassinato e do estupro de Giovanna dos Reis Costa, de 9 anos, em 2006. A prisão ocorreu em Londrina, no Paraná.

Segundo a polícia, duas mulheres, sendo a ex-companheira e enteada do homem, foram à delegacia em 2025 denunciar os abusos que sofreram do suspeito anos atrás, identificado como Martônio.

No relato, as mulheres contaram os repetidos abusos e ameaças sofridos por ele. De acordo com as vítimas, em um certo momento, Martônio chegou a revelar à enteada que havia feito uma "coisa muito ruim" a uma jovem chamada Giovanna e que, se ela decidisse contar sobre os abusos, faria o mesmo com ela.

Conforme a polícia, os relatos indicaram detalhes compatíveis com a cena do crime que vitimou Giovanna, como a atração da vítima para uma residência, o estupro, a asfixia para evitar identificação, a ocultação do corpo e a tentativa de incriminar terceiros ao descartar as roupas em terreno alheio.

O depoimento implicou no desarquivamento do caso. Neste momento, Martônio está detido e o caso, com previsão de encerramento daqui a 10 dias, será encaminhado ao Poder Judiciário, onde ele deve ser julgado pelo Tribunal do Júri.

Dinâmica do crime

Em uma das confissões à suas ex-companheiras, Martônio descreve a dinâmica do crime. De acordo com o homem, Giovanna vendia rifas escolares na região e a abordou demonstrando interesse no material, mas alegando que, ali no momento, não tinha dinheiro.

Ele então a atraiu para sua residência, onde a sufocou e desmaiou, dando início ao estupro. Por medo da criança contar o crime, matou Giovanna e escondeu o corpo em uma área de mata, distante daquele local, com objetivo de incriminar terceiros.

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O corpo da criança foi encontrado dois dias depois em um terreno baldio envolto em sacos plásticos e amarrado com fios elétricos. As roupas da criança foram localizadas em outro terreno próximo. A perícia confirmou a morte por asfixia mecânica, com sinais extremos de violência sexual.

Na época, a investigação inicial apontou para um grupo de homens que morava na vizinhança. Na ocasião, eles foram indiciados, denunciados e levados a júri popular, mas acabaram sendo absolvidos por falta de provas cabais. O caso foi arquivado na sequência.

"Na época dos fatos esse homem chegou a ser ouvido pelos policiais, mas agora temos um conjunto robusto de provas para essa prisão. Ele está com prisão preventiva e encontramos objetos de uso sexual na casa dele. Vamos concluir o inquérito nos próximos dez dias", disse a delegada responsável pelo caso.

Provas e confissão

De acordo com a polícia, Martônio residiu em Quatro Barras (onde Giovanna foi encontrada morta) e, na época do crime, chegou a ser testemunha do caso. Na sequência dos fatos, ele se separa da sua então esposa e se relaciona com outras mulheres.

Durante esses envolvimentos, relatos apontaram que, com uma dessas mulheres que se relacionou, passou a praticar violência sexual contra uma das filhas dela. A jovem foi vítima de abusos dos nove aos doze anos de idade, sem contar a ninguém por medo das ameaças.

Ao ser preso em 2018 por colocar câmeras escondidas em um banheiro feminino, a enteada vê a repercussão do caso e resolve denunciar Martônio, contando das violências, das ameaças e da confissão que havia feito sobre Giovanna. O advogado dela percebe que a então jovem citada pelo homem, se tratava de Giovanna dos Reis.

Martônio também confessou à mãe da enteada, na época, sua esposa.

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Segundo a delegada do caso, Camila Cecconello, foi através dessa denúncia que a polícia solicitou a reabertura do inquérito e juntaram todas as provas. Foi constatado pelas autoridades que, quando ocorreu o crime, Martônio já foi figurado como um dos principais suspeitos.

Na casa dele, em 2006, encontraram manchas de urina em um colchão. A esposa do suspeito, ao perceber a movimentação da polícia em realizar perícia no colchão, destruiu a mobília e lavou toda a casa com produtos químicos.

Além disso, fios elétricos apreendidos na casa do suspeito na época do crime apresentavam características idênticas aos usados no corpo da vítima. Uma sacola de mercado onde as roupas foram encontradas foi ligada à residência do investigado por meio de diligências recentes.

Antecedentes por violência e importunação sexual

De acordo com a polícia, Martônio já possuía um longo histórico de estupro de vulnerável e importunação sexual, sendo uma prática frequente e cometida há muitos anos.

Além disso, o histórico inclui pela prática de importunação e processos por estupro de vulnerável, apontando que o homem possuía um modus operandi nas ações.

Em um dos casos ele chegou a colocar câmeras escondidas em um banheiro feminino de uma lanchonete onde trabalhava, o que chegou a ser noticiado e motivou uma das denúncias novas feitas à polícia.

*Sob supervisão de Tonny Aranha