Empresário é preso por cartel e corrupção em shows em SC; veja quem é
Prisão de José Clemir Spinelli ocorreu na manhã desta terça-feira (7) durante a "Operação Pão e Circo"; investigações apontam fraude para eliminar concorrência, manipular preços e dominar o mercado

O empresário José Clemir Spinelli foi preso na manhã desta terça-feira (7) em Itapema, cidade em Santa Catarina, em uma operação do Ministério Público do estado contra a existência de um cartel do setor de eventos. Nas redes sociais, ele aparece ao lado de diversas figuras famosas no ramo da música.
As investigações apontam que, ao longo dos anos, o grupo criminoso estruturou e colocou em prática um esquema de fraude em licitações para eliminar a concorrência, manipular preços e dominar o mercado de shows com artistas de renome nacional. Spinelli era alvo de um mandado de prisão preventiva.
Além das fraudes, empresários e agentes públicos recorriam ao pagamento e ao recebimento de propina para viabilizar o esquema e à lavagem de dinheiro para ocultar os valores obtidos com as irregularidades.
A CNN Brasil tenta contato com a defesa de Spinelli. O espaço segue aberto.
Entenda a "Operação Pão e Circo"
Durante a ação, foram cumpridos 49 dos 50 mandados de busca e apreensão em 19 municípios: 18 em Santa Catarina e um em Porto Alegre.
A operação é realizada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas). As ordens são cumpridas em residências e prédios de órgãos públicos, contra servidores e ex-servidores públicos, empresários e outros investigados.
Os mandados foram autorizados pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, uma vez que a investigação envolve pessoas com foro por prerrogativa de função.
Entre as determinações judiciais estão a indisponibilidade de cerca de R$ 9 milhões em bens e valores para garantir eventual reparação ao erário e a aplicação de medidas cautelares, como afastamento de funções, restrições para contratar com o poder público, proibição de acesso a repartições municipais e de contato entre investigados e testemunhas, além de outras obrigações fixadas pela Justiça.
A operação recebeu o nome em referência à política adotada pelos imperadores romanos, que buscavam controlar a plebe por meio da distribuição de trigo (o pão) e da oferta de espetáculos públicos (o circo).
Dessa forma, desviavam a atenção dos problemas sociais e políticos, enquanto a nobreza desfrutava dos privilégios, riquezas e do poder, perpetuando a desigualdade.
Os materiais apreendidos durante as diligências serão encaminhados à Polícia Científica, que realizará exames periciais. Após a análise inicial, as evidências serão analisadas pelas equipes de investigação para dar continuidade ao desmantelamento da rede criminosa.


