2 deputados citados em delação de Edmar Santos são do Conselho de Ética da Alerj

Colegiado define hoje a admissibilidade dos processos de cassação dos outros cinco parlamentares que foram presos na Operação Furna da Onça, em 2018

Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj)
Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) Foto: Fernando Frazão - 02.out.2019 / Agência Brasil

Stéfano Salles,

da CNN, no Rio de Janeiro

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Dois deputados estaduais citados na denúncia do Ministério Público Federal (MPF) que embasou a Operação Tris in Iden, deflagrada nessa sexta-feira (29) – que resultou no afastamento do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) –, estão no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). São eles: Márcio Canella (MDB) e Rodrigo Bacellar (Solidariedade).

O colegiado define nesta segunda-feira (31) a admissibilidade dos processos de cassação dos outros cinco parlamentares que foram presos na Operação Furna da Onça, no fim de 2018. São eles: André Corrêa (DEM), Luiz Martins (PDT), Marcos Abrahão (Avante), Marcus Vinícius Neskau (PTB) e Chiquinho da Mangueira (PSC), do partido de Witzel e do governador interino Cláudio Castro.

Canella e Bacellar estão citados na denúncia por meio da colaboração premiada feita pelo ex-secretário estadual de Saúde, Edmar Santos. Nela, Santos diz que os dois fazem parte de um esquema, que incluía ele, Witzel e Castro, além do Secretário Estadual da Casa Civil, André Moura.

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Segundo o documento, o esquema consistia em “desvio, em proveito dos deputados, de sobras dos duodécimos do poder legislativo, ‘doados’ ao Erário estadual sob pretexto de financiar as Secretarias Municipais de Saúde. Para tanto, após ingresso dos recursos nos cofres da Secretaria Estadual de Saúde, parte dos valores seria repassada para alguns municípios específicos, o que viabilizaria posterior desvio em favor dos integrantes do esquema, além da exploração política desses aportes financeiros em suas bases eleitorais de olho nas próximas eleições”, diz a denúncia.

Ambiente político

O Conselho de Ética da Alerj se reuniu pela primeira vez para tratar da situação dos deputados presos na Operação Furna da Onça na segunda-feira passada (24), mas a decisão ficou para hoje. Isto, porque os deputados Rodrigo Amorim (PSL) e Léo Vieira (PSC) pediram vistas ao processo.

A CNN já tinha apurado no início da semana passada que o ambiente político no conselho era pela rejeição. Bacelar, que se recuperava de uma cirurgia, não esteve presente no encontro e foi substituído pelo suplente Chico Bulhões (Novo).

Além de membro da comissão, Bacelar é também relator da Comissão Especial que avalia o impedimento do governador afastado, Wilson Witzel, na Alerj.

Outro lado

Rodrigo Bacellar se manifestou por meio de nota. “Ao receber com muita surpresa o conteúdo da delação do ex-secretário de Estado de Saúde, Edmar Santos, acusado de diversos crimes, gostaria de esclarecer que estivemos juntos em poucas reuniões e sempre com a presença de outras pessoas. Nessas ocasiões, sempre foram tratados exclusivamente assuntos referentes às necessidades dos municípios do Estado do Rio no tocante às questões da Saúde”, diz um trecho da nota.

“Com meu conhecimento sobre as carências da área no interior do estado, procuro ajudar a levar soluções não só para a área da Saúde, bem como de outras necessidades, já que como parlamentar percorro as regiões e tenho conhecimento sobre as reais necessidades dos municípios. Por fim comunico que assim que meus advogados tiverem acesso aos autos, serão melhor detalhadas todas as questões”, conclui.

O deputado estadual Márcio Canella não se manifestou.

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