Há menos de um mês, novo ministro elogiou Mandetta e isolamento em rede social


Natália André Da CNN, em Brasília
16 de abril de 2020 às 18:56

Em sua conta particular na rede profissional LinkedIn, o novo ministro da Saúde, o oncologista Nelson Teich, escreveu artigos elogiando medidas de seu antecessor, Luiz Henrique Mandetta (DEM), além de defini-lo com atuação "brilhante". "Excepcional condução, tranquilidade, equilíbrio, eficiência e enorme capacidade de comunicar de forma clara com a sociedade", completou.

Teich também defendeu o chamado isolamento horizontal, que abarca toda a população, ao invés do vertical, em que são isoladas apenas as pessoas que integram grupos de risco. Este segundo modelo é o defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"Diante da falta de informações detalhadas e completas do comportamento, da morbidade e da letalidade da COVID-19, e com a possibilidade do Sistema de Saúde não ser capaz de absorver a demanda crescente de pacientes, a opção pelo isolamento horizontal, onde toda a população que não executa atividades essenciais precisa seguir medidas de distanciamento social, é a melhor estratégia no momento", disse o novo ministro.

"Além do impacto no cuidado dos pacientes, o isolamento horizontal é uma estratégia que permite ganhar tempo para entender melhor a doença e para implantar medidas que permitam a retomada econômica do país", argumentou.

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Em outro trecho, ele detalha sua crítica ao vertical, contrariando o presidente. "Outro tipo de isolamento sugerido é o isolamento vertical. Nessa opção apenas um grupo de pessoas é submetido ao isolamento, no caso aquelas com maior risco de morrer pela doença, como idosos acima de 60 anos e pessoas com outras doenças que aumentam o risco de morte pela COVID-19. Essa estratégia também tem fragilidades e não representaria uma solução definitiva para o problema".

Em seus artigos na rede social, em menos de um mês, o novo ministro reforça a importância de medidas tomadas por Mandetta, como o uso da telemedicina, inteligência artificial e aumentar a potência do Sistema de Saúde, e pontua o problema da polarização nas discussões.

"Vamos começar falando sobre a polarização que está acontecendo entre a saúde e a economia. Esse tipo de problema é desastroso porque trata estratégias complementares e sinérgicas como se fossem antagônicas. A situação foi conduzida de uma forma inadequada, como se tivéssemos que fazer escolhas entre pessoas e dinheiro, entre pacientes e empresas, entre o bem e o mal", concluiu.