Perícia de vídeo dirá quem tem razão em guerra de narrativas, diz especialista

Primeira fase do processo de perícia é fazer uma cópia de segurança da gravação, segundo explica o presidente Associação de Peritos da Polícia Federal (APCF)

Da CNN, em São Paulo
13 de maio de 2020 às 11:29

O presidente Associação de Peritos da Polícia Federal (APCF), Marcos Camargo, detalhou à CNN, nesta quarta-feira (13) como funcionará a perícia do vídeo da reunião ministerial e avaliou que o processo permitirá que o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), analise quem está com razão em meio à guerra de narrativas criada nas acusações do ex-ministro Sergio Moro contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"O objetivo da perícia é usar ferramentas científicas para materializar o conteúdo que está gravado e, com base nisso, identificar se há alguma alteração ou não. Na medida que se caracteriza tudo isso e consegue dar um nexo aos diálogos, a ideia é permitir que o magistrado entenda o que realmente está sendo discutido dentro de um contexto para que possa fazer essa avaliação e analisar quem teria a razão nessa guerra de narrativas", explicou ele.

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Na segunda-feira (11), Celso de Mello autorizou a degravação integral do HD externo do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril até que haja “decisão definindo se haverá, ou não, divulgação, total ou parcial, do teor dos registros audiovisuais existentes em tal mídia”.

Moro apontou que, durante a reunião, Bolsonaro tentou interferir de forma indevida nas atividades da Polícia Federal. O vídeo foi exibido na terça (12), na sede da PF em Brasília, e chegou a ser classificado como "devastador" por parlamentares. No final do dia, Bolsonaro declarou que "não existe no vídeo todo a palavra Polícia Federal" e que nada o impediria de divulgar o vídeo, mas ele deveria ser destruído.

Sobre isso, Camargo esclareceu que a primeira fase do processo de perícia é justamente fazer uma cópia de segurança da gravação a fim de preservar o conteúdo original e frisou que "desde que se torna elemento de prova, o vídeo tem que ser mantido dentro da sua integridade".

A segunda etapa consiste na transcrição do conteúdo e verificação de eventuais edições, que, segundo o especialista, "podem ser intencionais ou não". "Os peritos vão transcrever todos os diálogos e avaliar se teve alguma edição que tenha interferência no contexto", esclarece.