Ministro da Educação não descarta adiar data do Enem


Da CNN, em São Paulo
15 de maio de 2020 às 20:59 | Atualizado 15 de maio de 2020 às 21:42
 

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse em entrevista exclusiva à CNN, nesta sexta-feira (15), que há a possibilidade de reavaliar a data de realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) caso a situação do coronavírus no Brasil não tenha sido amenizada.

"Tenho apresentado para senadores e deputados que eu não sou intransigente, é cedo para adiar, vamos esperar dois meses, em agosto a gente avalia, retomamos o assunto. Nesse momento eu considero precipitado e até desumano adiar o Enem”, disse.

“Tem um monte de jovens estudando em casa com a perspectiva de fazer o Enem em novembro. Nesse momento a pessoa não consegue trabalhar. A hora que você tirar isso vai gerar um desalento muito grande, vai matar a esperança", acrescentou. 

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'Injustiça social'

O ministro afirmou ainda que o Enem não foi feito "para corrigir injustiça social”. “Quem não tem internet não consegue nem fazer a inscrição para o Enem, a profunda injustiça social. O Enem não é feito para corrigir injustiça social, é para capacitar pessoas. [Se o exame não ocorrer neste ano] serão menos 45 mil médicos no Brasil, menos engenheiros, menos enfermeiros, essa é a consequência”, disse.

Weintraub afirmou que a maioria dos alunos que pediram isenção da taxa de inscrição do Enem declaram possuir acesso à internet pelo celular.

“Você vê muito parlamentar de esquerda, muito líder estudantil de 35 anos, alegando que 40% das pessoas no Brasil não têm acesso à internet. Os números de quem conseguiu a isenção da taxa do Enem, e é auto declaratório, 75% têm internet em casa, e 98,6% têm internet no celular, então a realidade não é tão como o pessoal diz.”

O ministro destacou que o investimento será maior na realização da prova este ano, devido aos cuidados em relação à contaminação de coronavírus. “Estamos ainda recebendo inscrições até dia 22, estamos levando em consideração a contaminação pela Covid-19, vai ser um pouco mais cara a elaboração das provas, para espaçar mais as carteiras entre os estudantes, caso seja necessário em novembro. Os cuidados com a doença estarão presentes em sala de aula, precisaremos de mais fiscais de sala, teremos um impacto de mais ou menos 80 milhões de reais, estimado. Diante desse quadro, não vejo risco de saúde para realização do Enem.”

Demissão de Nelson Teich

Abraham Weintraub comentou a saída de Nelson Teich do comando do ministério da Saúde nesta sexta-feira (15).

“Neste processo de construção, são 22 ministros, eventualmente acontecem mudanças. Não estou vendo nenhum risco em questão desta troca. Teich avaliou mal o tamanho do desafio, ele preferiu sair, temos que respeitar. Preferia que tivesse dado certo, mas não deu, vida que segue. O general (Eduardo Pazuello) tem uma experiência, fiquei bem impressionado”, afirmou.