Oposição destaca baixo desempenho de Regina Duarte na Secretaria de Cultura

Atriz vai assumir Cinemateca Brasileira, em São Paulo, para ficar mais próxima à família

Da CNN, em São Paulo
20 de maio de 2020 às 12:19 | Atualizado 20 de maio de 2020 às 12:57
O presidente Jair Bolsonaro e a secretária de Cultura Regina Duarte (06.mar.2020)
Foto: Adriano Machado/Reuters

A atriz Regina Duarte deixou o comando da Secretaria de Cultura na manhã desta quarta-feira (20) e assumirá a Cinemateca Brasileira, em São Paulo. De acordo com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Regina sente falta da família, em São Paulo, e por causa disso o novo cargo lhe dará mais tempo livre, uma vez que a Cinemateca é muito próxima a sua casa. Nas redes sociais, políticos comentaram a saída da atriz da pasta e a oposição destacou a falta de resultados de sua gestão à frente da secretaria. A hashtag #TchauQuerida, ironizando a mudança, é uma das mais mais comentadas no Brasil no Twitter.

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Em vídeo publicado na sua conta pessoal no Twitter, Bolsonaro e a atriz comentam a saída de Regina na pasta: "acabo de ganhar um presente que é um sonho [...]: um convite para fazer Cinemateca", disse a ex-secretária. "O que eu mais quero é o seu bem", disse o presidente. 

"Foi uma passagem curta e sem alma. Não houve um fluxo de diálogo com o Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, tampouco com a sociedade civil. Não avançamos. Mergulhamos ainda mais num momento de incertezas e crises, agravadas por declarações públicas frívolas e desrespeitosas. Infelizmente saiu como entrou: sem dizer a que veio", publicou no Twitter Úrsula Vidal, secretária da cultura do estado do Pará e presidente do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Cultura.

Quando perguntada sobre possível escolha de Mário Frias, Úrsula respondeu a analista de política Basília Rodrigues, da CNN, na manhã desta quarta-feira (20): "A Secretaria Especial de Cultura é hoje uma incógnita para a sociedade brasileira. Precisamos de diálogo, de respostas, de entendimento acerca da política pública de cultura que o Governo Federal pretende implementar. O recurso fica represado e os planos não são executados. Vamos continuar tentando. A cada troca na secretaria, tudo começa do zero. Parece que estamos andando em círculos. Esperamos que o diálogo com Secretários Estaduais e Municipais de cultura seja uma prioridade na pauta do novo titular".

Ex-ministro da Cultura, o deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ) criticou a passagem da atriz à frente da secretaria. "Não deixa qualquer legado. Ao contrário. Deixa um rastro de disfuncionalidade, caos e agressão - inclusive contra nossa memória histórica - que, infelizmente, bem reflete o perfil deste governo".

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Líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) destacou a falta de ações da ex-secretária. "Regina Duarte nem chegou a compor o “governo”. Nada fez pela cultura, sequer se sensibilizou com a morte de colegas. Com todo respeito, que ela mesmo deixou de ter, já vai tarde!", escreveu no Twitter. A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) expressou opinião semelhante. "A desastrosa gestão de Regina Duarte será lembrada pelo desrespeito à classe artística. A atriz nada fez pelos milhares de trabalhadores da cultura em dificuldade, pelo contrário. Assim como Bolsonaro, minimizou a pandemia e insultou o povo com saudosismo da ditadura. Foi tarde", escreveu a parlamentar.

O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho, se pronunciou e disse em vídeo: “A Regina Duarte foi trazida como uma alternativa, para pacificar, e como salvadora da interlocução do governo com o setor que produz artes visuais, de uma maneira geral. Sai como uma pessoa indesejada, incapaz de conduzir a pasta,  e ainda por cima, fazendo teatrinho com o presidente para poder dizer que está saindo em paz – ganhando um prêmio de consolação”. 

Antes mesmo de sua saída, um grupo de mais de 500 artistas brasileiros escreveu uma carta repudiando a gestão e as declarações da secretária de Cultura, Regina Duarte. Segundo o documento, o grupo diz não aceitar ataques “reiterados à arte, à ciência e à imprensa”, além de não admitir “a destruição do setor cultural”. Em entrevista à CNN, a atriz minimizou a ditadura.

A lista é composta por artistas, intelectuais e produtores culturais. Entre os 512 signatários estão: os atores Adriana Esteves, Alice Braga, Ana Lúcia Torre, Cauã Raymond, Malu Mader, Marcelo Serrado, Marieta Severo, Marisa Orth, Miguel Falabella, Monica Iozzi, Paulo Betti, Renata Sorrah e Selton Mello; e os músicos Caetano Veloso, Chico Buarque, Dinho Ouro Preto, Emicida, Fafá de Belém, Lulu Santos, Rita Lee e Samuel Rosa. 

Já um dos filhos de Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL) desejou 'sucesso' à atriz em sua nova empreitada. 

O presidente nacional do PTB e ex-deputado, Roberto Jefferson, também se manifestou e apostou como nove nome liderando a pasta o ator Mário Frias e ironizou a sua possível posse na Secretaria de Cultura.