Áudio cita 'acerto' com governador do Rio

Na conversa, investigado pela PF diz que o empresário Mário Peixoto acertou a revogação da desqualificação da empresa Unir Saúde em editais do Rio

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
26 de maio de 2020 às 20:29

A CNN obteve áudio de uma conversa entre um homem chamado Luís Roberto, alvo da Operação Favorito, com um amigo. A ação da Polícia Federal apura os negócios do estado do Rio com o empresário Mário Peixoto.

Na conversa, o investigado faz referências a Peixoto, afirmando que o empresário acertou a revogação da desqualificação da empresa Unir Saúde em editais do Rio de Janeiro.

"Te falaram que vão revogar aquela decisão?", pergunta. "Diz o Mário que foi ele que acertou junto com o governador, mas não publicou ainda. Eu estava comprando isso de um outro cara", responde o interlocutor, em trecho do diálogo.

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Ser "desqualificada" significava que uma empresa não poderia ser contratada pelo estado. De acordo com a apuração, uma decisão do governador Wilson Witzel (PSC) de fato permitiu que essa contratação pudesse voltar a ser feita. A requalificação feita por Witzel contrariou dois pareceres internos do próprio governo para que essa organização social fosse reabilitada.

O governador Wilson Witzel afirmou que se considera vítima de "perseguição política". "O que se encontrou foi apenas a tristeza de um homem e de uma mulher pela violência por este ato de perseguição política que está se iniciando neste país. O que aconteceu comigo vai acontecer com outros governadores considerados inimigos. Narrativas fantasiosas e investigações precipitadas", disse.

Witzel também viu relação com a operação contra si e as investigações que apuram possível interferência política do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Polícia Federal. O governador defendeu mais cedo a prisão do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente da República.

Em nota, a advogada Helena Witzel afirma que "a diligência nada encontrou que pudesse comprovar alegações de seus requerentes", que prestou serviços de assessoria jurídica para a empresa citada, recebendo honorários e emitindo notas fiscais e também acusa "indisfarçada motivação política".

Ela também cita a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), parlamentar próxima ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que afirmou em entrevista na segunda-feira (25) que a Polícia Federal realizaria operações contra governadores. À CNN, a deputada afirmou que não obteve informações privilegiadas e que apenas "seguiu uma linha de raciocínio".

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