Doria critica mudança em divulgação de dados da Covid-19: 'Erraram na mosca'

Governador de São Paulo lembrou que informações podem ser consolidadas pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde

Da CNN, em São Paulo
08 de junho de 2020 às 18:16 | Atualizado 08 de junho de 2020 às 18:36

Para o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a mudança na divulgação dos dados sobre a Covid-19 no Brasil é inútil. Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (8), ele lembrou que quem abastece o sistema do Ministério da Saúde são as secretarias estaduais, que podem consolidar os dados e oferecê-los à população.

"Faltou um pouco de raciocínio, de discernimento e de responsabilidade do governo federal", classificou. "A mídia internacional já se posicionou, inclusive a Organização Mundial da Saúde. O erro é de 100%, erraram na mosca".

Na última sexta-feira (5), a pasta retirou do ar a plataforma que informava a evolução de casos e mortes pela doença causada pelo novo coronavírus no país. Ao retornar, o site trazia apenas a informação sobre pacientes recuperados e os novos casos e vítimas — todas as demais informações da série histórica desde o início da pandemia não estão disponíveis.

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Doria também respondeu ao comentário do presidente, que publicou em seu perfil do Twitter nesta manhã que a responsabilidade do combate à pandemia é de governadores e prefeitos. "[Bolsonaro] não vai lançar aos governadores uma responsabilidade que é dele", disse. "Obviamente os governadores que estão seguindo a linha correta, promovento isolamento social em maior ou menor grau em todos os estados. O presidente da República faz o oposto, desrespeita as orientações, o isolamento e até o uso básico de uma máscara quando sai de sua residência ou do Planalto".

O governador paulista também disse que o conflito entre os poderes se deve a um erro do presidente, que confere, segundo ele, um caráter "ideológico" às ações contra a Covid-19. "A política não é importante nesse momento, importante é a saúde e ciência para proteger a vida e orientar os brasileiros", afirmou.

Carlos Wizard

Doria também rebateu a declaração do empresário Carlos Wizard, que havia afirmado que estados e municípios estariam inflando dados estatísticos para conseguir mais recursos — após polêmica, ele deixou o Ministério da Saúde. "É um grande equívoco do Carlos, ele aceitou um convite que não deveria aceitar", afirmou. "Espero que mantenha o que tem feito bem ao longo de sua existência, deve ficar longe do governo Bolsonaro e cuidar de suas empresas, sua família, o que faz muito bem".

Flexibilização da quarentena em SP

O governador disse que irá detalhar a nova etapa da quarentena no estado, válida a partir de 15 de junho, em uma entrevista coletiva nesta quarta-feira (10). "Essa antecedência é para dar previsibilidade e orientar as pessoas, prefeitos, empresários e a opinião pública dos procedimentos que São Paulo vem adotando", disse, afimando que o estado tem sido transparente em todas as medidas relativas ao combate da pandemia.

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Doria declarou ainda que São Paulo não tem e nem terá um colapso da saúde pública. Ele disse que a ocupação de leitos de UTI caiu para 67,5% em todo o estado, número bastante inferior ao registrado há dez dias. "Baixamos [a ocupação dos leitos] porque equipamos os hospitais e estamos chegando a um platô de infecções e óbitos".

No entanto, disse que qualquer medida de flexibilização será orientada pelo Centro de Contingência à Covid-19 no estado, composto por 18 cientistas. "Quem determina o que vamos fazer é saúde e ciência, não a política e muito menos a pressão".