Ex-presidentes da República saem em defesa do STF

No sábado (13), grupo de manifestantes não identificado lançou fogos de artifício contra o prédio do STF, simulando um bombardeio

Thais Arbex e Basília Rodrigues Da CNN, em Brasília
14 de junho de 2020 às 20:15 | Atualizado 14 de junho de 2020 às 23:21
O ex-presidente José Sarney
Foto: José Cruz/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal divulgou na noite deste domingo que três ex-presidentes da República prestaram solidariedade à corte, após protestos contra a instituição. Fernando Henrique Cardoso publicou na internet. Michel Temer e José Sarney encaminharam mensagens ao presidente do STF, Dias Toffoli, que divulgou que a corte não irá se sujeitar a nenhum tipo de ameaça.

"Receba minha solidariedade à sua manifestação. A agressão física à Suprema Corte revela o desconhecimento de suas elevadas funções como um dos principais garantes da democracia integrada, como é, por juristas do maior porte e forjados na ideia de rigoroso cumprimento da Constituição Federal", afirmou Michel Temer.

Fernando Henrique Cardoso afirmou que sua solidariedade ao STF é total. "Os fogos vistos no YouTube e a voz tremebunda atacando-o são contra a democracia. Gritemos: não ao golpismo! Os militares são cidadãos: devem obediência à Constituição como todos nós. Defendamos juntos Brasil, povo e lei, antes que seja tarde", escreveu, no Twitter.

Já o ex-presidente da República José Sarney classificou como “inqualificável e criminosa” a agressão à Corte na noite deste sábado (13), quando um grupo de manifestantes não identificado lançou fogos de artifício contra o prédio do STF, simulando um bombardeio. “Solidário à sua mensagem, junto o meu protesto contra inqualificável e criminosa agressão ao STF, guardião da Constituição, integrado por magistrados de altas virtudes culturais e morais. Peço para estender minha solidariedade a toda Corte”, escreveu Sarney a Toffoli neste domingo (14). 

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O ataque à sede do Supremo foi divulgado em vídeo nas redes sociais. Nele, um homem profere insultos e menciona alguns nomes de ministros, entre os quais o presidente Dias Toffoli e seus pares Cármen Lúcia, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.

No vídeo, o homem faz ameaças dizendo aos ministros: “Se preparem, Supremo dos bandidos, aqui é o povo que manda”. Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal, um grupo de aproximadamente 30 pessoas realizou um culto na Praça dos Três Poderes e encerrou a cerimônia com fogos de artifício.

Toffoli encerrou a nota dizendo que “guardião da Constituição, o Supremo Tribunal Federal repudia tais condutas e se socorrerá de todos os remédios, constitucional e legalmente postos, para sua defesa, de seus ministros e da democracia brasileira”.

Leia a íntegra da mensagem de José Sarney a Dias Toffoli:

Sr. Presidente Dias Toffoli

Solidário à sua mensagem, junto o meu protesto contra inqualificável e criminosa agressão ao STF, guardião da Constituição, integrado por magistrados de altas virtudes culturais e morais. Peço para estender minha solidariedade a toda Corte. 

Respeitosamente,
José Sarney - ex-Presidente da República