'Alívio' e 'guerreiro': as reações de políticos à saída de Weintraub

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou na tarde desta quinta-feira (18) que deixou o cargo; anúncio foi feito em um vídeo, ao lado de Bolsonaro

Paula Mariane, da CNN, em São Paulo
18 de junho de 2020 às 17:30 | Atualizado 18 de junho de 2020 às 21:21
Ministro da Educação Abraham Weintraub, em foto de arquivo
Foto: Marcelo Camargo - 07.mai.2019/Agência Brasil

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou na tarde desta quinta-feira (18) que deixou o cargo. Weintraub fez o anúncio em um vídeo publicado no seu canal no YouTube no qual aparece ao lado do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

Ele disse que "nos próximos dias" passará o cargo para seu substituto, "interino ou definitivo". O mais cotado para chefiar o MEC vinha sendo o secretário nacional de alfabetização, Carlos Nadalim, mas Bolsonaro agora avalia o nome do atual secretário-executivo da pasta, Antonio Paulo Vogel.  

Após a divulgação do vídeo, parlamentares se manifestaram nas redes sociais sobre a saída de Weintraub da pasta. 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez uma crítica direta à atuação do ministro.

"Estava muito ruim o Ministério da Educação. Esperamos que a gente possa ter alguém de fato comprometido com a educação e com o futuro das crianças", afirmou.

O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni (DEM), desejou sucesso a Weintraub no Banco Mundial. "Sucesso na nova missão de representar o Brasil no Banco Mundial", declarou no Twitter. 

O candidato à presidência nas eleições de 2018, Ciro Gomes, disse no Twitter que irá "pedir ao PDT para, nos tribunais, buscar desfazer seu último crime como ministro, que foi acabar as cotas para negros, índios e deficientes nas pós-graduações". 

Em uma nota conjunta, a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) e Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) afirmaram que a saíde do ministro "é fruto da luta daqueles que não aceitam ataques à democracia e à constituição". 
 
"Seguiremos atentos à nomeação do próximo ministro e sabemos que se as mesmas ideias se mantiverem, a troca de representantes não significará uma melhora", escreveram.  

O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Carlos Sampaio, afirmou em nota que a permanência de Weintraub no Ministério da Educação "já vinho sendo questionada por vários segmentos da sociedade". Para Sampaio, Weintraub se manifestou de "forma ofensiva e inaceitável" em relação aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). 

"Após sua participação em atos antidemocráticos e depois da decisão do Supremo de mantê-lo em inquérito que investiga as fake news, o certo é que sua participação no governo se tornou insustentável", afirmou. "Paralelamente a todos estes fatos, o ex-ministro já vinha num processo de desgaste crescente, particularmente por seus posicionamentos nas redes sociais muitas vezes incompatíveis com a importância do cargo que ocupava". 

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que Abraham "se preocupou mais em ofender do que educar" e declarou o episódio como "vergonhoso".

"Misto de ideologia e incompetência, a gestão de Weintraub no MEC significou anos de atraso em uma das áreas mais sensíveis para o futuro do País", escreveu no Twitter.

O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) demonstrou apoio ao ministro da Educação. "Ele é um dos maiores guerreiros que já conheci e mostrou isso na pasta mais espinhosa e aparelhada que temos", afirmou. 

A deputada federal paulista Joice Hasselmann, também do PSL, disse que a saída do ministro foi "arranjada". "Vai ganhar cargo no Banco Mundial", declarou a parlamentar no Twitter. 

Para a deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP), "a saída do pior ministro da Educação da história é um alívio para milhões de jovens brasileiros". 

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), disse que "nenhum país se desenvolve e supera desigualdades sem colocar a educação como prioridade absoluta", e que espera "que os graves retrocessos dos últimos meses sejam reparados de forma urgente". 

O líder do PSL no Senado, Major Olímpio, afirmou que vê "com muita satisfação e tardia a saída do Ministro da Educação". "Não fez nada. Não estabeleceu políticas públicas educacionais", declarou.