Aliados de Flávio Bolsonaro associam investigação das rachadinhas a Witzel 

Pessoas próximas ao senador afirmaram à CNN que a probabilidade da denúncia é o ponto alto de um processo de desgaste iniciado ainda em 2018

Leandro Resende Da CNN, no Rio
24 de junho de 2020 às 10:54
Foto de Fabrício Queiroz na chegada ao complexo penitenciário em Bangu 8
Foto: CNN (23.jun.2020)

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) afirmam que o governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel faria pressão sobre o Ministério Público para acelerar a investigação do caso das rachadinhas.

A CNN revelou ontem que o MP deve denunciar Flávio, Queiroz e outros assessores até o início da semana que vem por peculato (apropriação ou desvio de dinheiro público) e por formação de organização criminosa. Na avaliação do MP, não há elementos suficientes para caracterizar lavagem de dinheiro.

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Pessoas próximas ao senador afirmaram à CNN que a probabilidade da denúncia é o ponto alto de um processo de desgaste iniciado ainda em 2018. E que Witzel, por ter se afastado da família Bolsonaro em 2020, articularia nos bastidores para tentar retaliar Flávio.

Na semana passada, o senador, em entrevista ao "Correio da Manhã", enfatizou que a prisão de Queiroz não tinha motivo e que o governador, agora seu desafeto, articularia contra ele. O ex-deputado estadual aparece cinco vezes como “líder de organização criminosa no pedido de prisão de Fabrício Queiroz. 

Até aqui, a postura do Ministério Público é de manter a discrição e evitar manifestações públicas no curso das investigações. Em dois anos de apuração do caso das “rachadinhas”, por exemplo, não houve entrevista coletiva dos procuradores que tocam o caso sobre o assunto - algo que é comum em investigações de ampla repercussão, como o caso da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), assassinada em março de 2018 ao lado de seu motorista Anderson Gomes. 

A CNN conversou com advogados e investigados de outros dois núcleos que integrariam o suposto esquema de corrupção da Alerj.

Por não terem sido chamados para prestar depoimento depois de serem alvo de busca e apreensão em dezembro do ano passado, a expectativa é de que dezenas de pessoas sejam denunciadas. Para o MP, o esquema das rachadinhas se dividira em seis grupos - o principal deles ligado a Queiroz e sua família.