Fabrício Queiroz informou telefone de ex-sogra ao ir para prisão domiciliar

CNN teve acesso, com exclusividade, ao termo assinado pelo ex-assessor

Leandro Resende, da CNN no Rio de Janeiro
16 de julho de 2020 às 14:04 | Atualizado 16 de julho de 2020 às 14:27
 

Ao assinar o termo para colocar a tornozeleira eletrônica e ir para prisão domiciliar, o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Fabrício Queiroz, informou o telefone de sua ex-sogra à Secretaria de Administração Penitenciária do Rio. À CNN, ela disse que não tem mais contato com ele. Segundo fontes que atuam no sistema prisional, a situação é irregular. 

A CNN teve acesso ao documento que Queiroz assinou, no dia 10 de julho, quando saiu do presídio de Bangu 8 e foi para casa onde vive na Taquara, em outro ponto da Zona Oeste carioca. Na declaração, assinada junto com a Secretaria de Administração Penitenciária do Rio, o ex-assessor informou o número de telefone da mãe de sua primeira esposa.

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“Já fui sogra dele. Sogra é para toda vida. Não tenho contato com ele desde que ele se separou da minha filha. Não sei porque ele colocou o meu telefone. Meu telefone já tem mais de 30 anos que é o mesmo”, afirmou a ex-sogra de Queiroz. A CNN preservou o nome da mulher, que não é investigada.

Fontes que atuam no sistema prisional do Rio afirmaram à CNN que a situação configura irregularidade. O telefone informado pelo preso ao colocar a tornozeleira eletrônica deve ser ser de alguém que seja próximo ao apenado, para que a Central de Monitoramento entre em contato caso perceba qualquer falha no equipamento ou veja, no sistema, que o alvo da medida saiu do perímetro em que ele pode ficar.

Ao assinar o documento, Queiroz se compromete a não tirar a tornozeleira eletrônica, não bloquear o sinal de GPS do aparelho e a responder mensagens e orientações enviadas pela Unidade de Monitoramento do sistema prisional do Rio.

Queiroz foi preso no dia 19 de junho por obstruir as investigações do Ministério Público sobre o caso das “rachadinhas”. O órgão considera que ele é o principal operador de um esquema de desvio de salários que seria liderado pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro. Desde o dia 10 de julho que Queiroz cumpre prisão domiciliar ao lado da atual esposa, Márcia Oliveira de Aguiar, que ficou foragida por quase um mês.

A defesa de Queiroz informou que o telefone da ex-sogra foi o único que ele se lembrou no dia em que saiu da prisão, e que o fato deles não manterem contato, não configura irregularidade. E que o número indicado pode ser trocado, se assim a Justiça solicitar. A defesa também informou que celulares e telefones fixos não podem estar em sua casa enquanto ele cumprir prisão domiciliar, mesmo os aparelhos de seus filhos.