PGR divergiu de decisão de Moraes de bloquear contas bolsonaristas

Para chefe da PGR, a determinação de Moraes é "desproporcional e contrária ao princípio da liberdade de expressão

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
24 de julho de 2020 às 15:01 | Atualizado 24 de julho de 2020 às 15:03
O procurador-geral da República, Augusto Aras
Foto: Roque de Sá/Agência Senado

O procurador-geral da República, Augusto Aras, posicionou-se contrariamente ao bloqueio de contas do Twitter dos bolsonaristas, efetuado pela empresa nesta sexta-feira (22) por determinação do STF.

Em manifestação encaminhada ao ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, no dia 23 de junho, sobre um habeas corpus impetrado pelo empresário Otávio Fakhoury, Aras disse que a determinação de Moraes é "desproporcional e contrária ao princípio da liberdade de expressão a medida de suspensão de contas em redes sociais".

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O chefe da PGR também defendeu que "é devido o desbloqueio dos perfis do paciente em redes sociais, ante a desproporcionalidade e falta de utilidade da medida".

Aras e Alexandre divergem em relação ao inquérito das fake news, que motivou o bloqueio de hoje das contas dos bolsonaristas .

No dia 26 de junho, a CNN teve acesso ao apenso 70 do inquérito. Nele, já havia uma manifestação de Aras demonstrando contrariedade contra a operação realizada no dia 27 de maio.

"A leitura dessas manifestações demonstra, a despeito do seu conteúdo incisivo, em alguns casos, serem inconfundíveis com a prática de calúnias, injúrias ou difamações contra os membros do STF. Em realidade, representam a divulgação de opiniões e visões de mundo, protegidas pela liberdade de expressão", disse Aras em manifestação dentro do apenso 70.

Tanto que a tendência do procurador-geral da República, já manifestada a interlocutores, é de que ele arquive o inquérito.