PCdoB lança Orlando Silva e amplia fragmentação da esquerda em São Paulo

Esta é a primeira vez que os comunistas colocam uma candidatura própria na maior cidade do país, após décadas de alianças locais com o PT

Giovanna Bronze e Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
31 de julho de 2020 às 00:02
Deputado Orlando Silva, do PCdoB
Foto: Luís Macedo/ Agência Câmara

Nesta quinta-feira (30), o PCdoB anunciou em seu perfil oficial do Twitter a pré-candidatura do ex-ministro do Esporte e deputado federal Orlando Silva a prefeito de São Paulo.

Se for levado adiante, o movimento representará a primeira vez que a legenda terá candidato próprio na capital paulista, movimento que acentua a divisão dos partidos à esquerda na cidade.

Na publicação, o partido diz que o deputado "é quem melhor representa a luta dos trabalhadores na Câmara”. “Lutou contra as reformas trabalhista e da Previdência e atua para assegurar empregos e renda para os trabalhadores e os mais pobres.”

Também pelas redes sociais, o governador do Maranhão Flávio Dino, uma das principais lideranças nacionais do PCdoB, defendeu a candidatura.

“Ele [Orlando] reúne raro talento político com muita capacidade de dialogar e realizar ações positivas. Por isso que tem se destacado na Câmara. Orlando faz e vai continuar a fazer um grande trabalho em favor de São Paulo”, afirmou.

Esquerda

Tradicionalmente, o PCdoB apoia candidatos do PT, tendo participado das três chapas petistas que venceram eleições na capital paulista, com Luiza Erundina (1988), Marta Suplicy (2000) e Fernando Haddad (2012). Na gestão de Haddad, o partido chegou a ter a vice-prefeita, Nádia Campeão.

Desta vez, no entanto, os comunistas optaram por não aderir à candidatura petista, que será encabeçada pelo ex-deputado federal e ex-secretário de Transportes Jilmar Tatto. Influente no diretório municipal do PT, Tatto venceu o ex-ministro da Saúde e deputado Alexandre Padilha em prévias.

Além de PCdoB e PT, a esquerda deve estar representada por ao menos mais duas chapas na cidade. Uma é a do PSOL, que colocou seus representantes mais estrelados, o ativista Guilherme Boulos e a ex-prefeita Luiza Erundina, para concorrerem a prefeito e vice-prefeita.

A outra, anunciada mas ainda aguardando oficialização, é a de PSB e PDT, apoiada pelo ex-ministro Ciro Gomes e que deve confirmar o ex-governador Márcio França como candidato a prefeito. O sindicalista Antonio Neto (PDT) é o nome para completar a chapa.

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Em 2016, o PDT indicou o vice na chapa de Fernando Haddad à reeleição, o ex-deputado Gabriel Chalita, enquanto o PSB apoiou a candidatura vitoriosa do hoje governador João Doria (PSDB). O PSOL teve Erundina como candidata.

Adversários

Fora do campo das legendas à esquerda, o Partido Novo definiu o nome de Filipe Sabará, ex-secretário municipal de Assistência Social, como candidato a prefeito. Apesar de ter trabalhado nas gestões de João Doria como prefeito e governador do estado, Sabará vem adotando discurso mais distante do Palácio dos Bandeirantes.

O PSDB, partido do governador João Doria, deve ter o atual prefeito Bruno Covas como candidato à reeleição. Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (30), Covas afirmou que ainda não há definição sobre quem concorrerá a vice-prefeito na sua chapa.