Messer delata bancos Rendimento e Paulista por compra de reais no Paraguai

Bancos afirmam que atuam de forma legal e negam qualquer negócio irregular com o 'doleiro dos doleiros'

Maria Mazzei, Paula Martini e Thayana Araújo, da CNN, no Rio de Janeiro
17 de agosto de 2020 às 23:37 | Atualizado 18 de agosto de 2020 às 08:57
O doleiro Dario Messer
O doleiro Dario Messer
Foto: Reprodução/TV Brasil

Os 21 anexos da delação premiada que o doleiro Dario Messer fechou com a Polícia Federal e com o Ministério Público Federal revelam anos de crime. No acordo, o "doleiro dos doleiros" contou esquemas de lavagem de dinheiro que darão desdobramentos para muitas investigações, entre elas, o detalhamento de operações que envolvem o Banco Rendimento e o Banco Paulista na compra de reais no Paraguai. 

“É um cartel. Poucos bancos entram nesse esquema. E apenas esses dois bancos conseguiam uma grande quantidade de reais no Paraguai. E o Banco Basa era o grande fornecedor de reais para os bancos Paulista e Rendimento. Dário informou que chegou a ser procurado por um outro banco para entrar nesse esquema, mas esses carteis são tão criminosos que não querem abrir para outros bancos participarem”, afirmou uma fonte da PF.   

A mesma fonte explicou que o setor de compliance dos bancos era burlado e as transações para lavar o dinheiro eram feiras através do esquema montado por Dário Messer.

O compliance de um banco é responsável por fazer com que a instituição cumpra todas as leis, regras e regulamentos impostos pelo Governo. O objetivo é combater, justamente, a lavagem de dinheiro, além da sonegação fiscal, evasão de divisas e qualquer outra atividade fora da lei. 

Nesta segunda-feira (17), o doleiro foi condenado pela Justiça Federal do Rio a 13 anos e 4 meses de prisão em regime fechado no processo da Operação Marakata, desdobramento da Lava Jato no Rio, pelo crime de lavagem de dinheiro. É a primeira vez que Dario Messer é condenado na Lava Jato. Ele foi absolvido da acusação de evasão de divisas.

Além de devolver R$ 1 bilhão, em imóveis e 17 milhões de dólares que ainda estão nas Bahamas, o doleiro está comprometido com a PF e MPF em continuar ajudando com as investigações sempre que for solicitado. 

“A vida do Dário é uma vida de crime. Ele já nasceu no berço da lavagem de dinheiro. Acha normal, por exemplo, dar bolsa de R$ 50 mil a uma pessoa. Não acredito que ainda tenha dinheiro escondido, mas se tiver, vamos encontrar. Acho que ele não iria querer correr o risco”, concluiu a fonte. 

Embora o que fora revelado por Dario Messer seja muito importante para os investigadores, foi a delação da mulher dele, Myra Athayde, que ajudou a Polícia Federal fechar lacunas importantes da investigação.  De acordo com a PF, orientada por Dario, durante o período em que o doleiro passou foragido, um ano e meio, era Myra quem continuava dando andamento as operações de lavagem de dinheiro com a teia de doleiros montada pelo marido. Myra responde por lavagem de dinheiro e o acordo de delação prevê que ela cumpra a pena em regime aberto. 

“Myra tinha datas e nomes de cabeça. Sabia explicar em detalhes todo o esquema, até melhor que o próprio Dario. O conteúdo apresentado por ela foi fundamental”, destacou a fonte.

Em nota, “o Banco Rendimento S/A esclarece que não teve acesso e nem conhecimento do teor desta delação. A instituição afirma também que não tem – nem nunca teve – nenhum tipo de relacionamento com o delator em questão”.

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A instituição informou ainda que: “como parte do seu negócio, realiza a aquisição de reais em espécie de bancos estabelecidos no Paraguai. Esta é uma operação absolutamente legal de importação de moeda nacional em espécie, realizada junto a estabelecimentos bancários do exterior e autorizada pela Resolução 3.568, de 29.5.2008, do Conselho Monetário Nacional".

"Cabe ressaltar que os valores transportados são controlados pelas autoridades do Paraguai e do Brasil, movimentados em voos regulares de companhias aéreas tradicionais e desembaraçados no país por Auditores da Receita Federal do Brasil em conformidade com os procedimentos da Instrução Normativa 1.082, de 8.11.2010”, completa o banco.

Também por meio de nota o Banco Paulista afirmou que: “não tem qualquer tipo de relacionamento com Dario Messer. A instituição ressalta que sempre se pautou pela legalidade de suas operações e que, como todas as demais, as operações de internalização da moeda nacional seguem as normas e diretrizes do Banco Central do Brasil”.