Líder do governo age para evitar 'caça às bruxas'

Senador é contra punição de aliados que votaram a favor do reajuste de salário a servidores públicos

Da CNN, em São Paulo
21 de agosto de 2020 às 16:17 | Atualizado 21 de agosto de 2020 às 16:18

Após o Senado votar pela derrubada do veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à medida que permitia aumento de salário a servidores públicos que tenham trabalhado no combate à Covid-19, o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), está defendendo uma conduta em que não haja uma “caça às bruxas”.

A ideia é evitar que o Planalto imprima alguma retaliação a aliados que votaram a favor da derrubada do veto. As apurações são da âncora da CNN Daniela Lima.

Na quarta-feira (19), o Senado havia derrubado o veto de Bolsonaro. Na noite de quinta-feira (20), o plenário da Câmara dos Deputados manteve, por 316 votos a 165, o veto do presidente da República.

"Quando a gente perde por dois votos, tem duas opções: ou fica chateado ou tem humildade para corrigir o que for preciso. E eu fico com a segunda opção", disse Gomes à âncora da CNN.

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O senador é contra a punição, por exemplo, do vice-líder do governo, o senador Izalci Lucas (PSDB-DF), que votou pelo reajuste salarial.

Já o ministro da economia, Paulo Guedes, conversou com o líder do governo e disse que, quando falou que o veto do Senado à proibição de reajuste salarial de servidores é um "crime contra o país", estava se referindo a um crime de responsabilidade.

Aliados do ministro defendem que, com ou sem a fala de Guedes, a repercussão da votação do Senado seria péssima – já que não haveria explicação para autorizar um volume tão grande de gastos em um cenário econômico tão ruim.

Caso Guedes seja convidado para falar sobre o assunto no Congresso, aliados do ministro acreditam que ele aceitará.