Posição do STF sobre depoimento de Bolsonaro pode afetar investigações

De acordo com apuração de Resende, fontes do Ministério Público Federal (MPF) apontaram que pode haver uma repercussão geral por conta da posição do Supremo

Da CNN
08 de outubro de 2020 às 15:55

A conclusão do julgamento sobre o recurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Supremo Tribunal Federal (STF), que está em andamento nesta quinta-feira (8), para definir se o depoimento dele será presencial ou por escrito pode afetar a investigação que envolve o filho senador, Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). A informação é do colunista Leandro Resende, da CNN.

De acordo com apuração de Resende, fontes do Ministério Público Federal (MPF) apontaram que pode haver repercussão geral – quando o STF analisa o mérito da questão e a decisão dessa análise é aplicada posteriormente pelas instâncias inferiores, em casos idênticos – da posição do Supremo.

Segundo procuradores, caso os ministros votem pelo depoimento por escrito, outras autoridades com foro privilegiado também vão querer o benefício sempre que forem chamadas a depor.

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Foto: Foco do Brasil/Reprodução/CNN (5.out.2020)

O efeito disso também pode afetar um caso concreto no RJ: o que investiga se Flávio Bolsonaro recebeu informações privilegiadas sobre a Operação Furna da Onça

À CNN, o procurador da República Eduardo Benones, que conduz a investigação sobre o suposto vazamento da operação, afirmou que o julgamento no STF terá sim repercussão geral.

Benones ainda disse entender que, se o depoimento de Bolsonaro for por escrito, ele acabará desistindo de promover a acareação entre Flávio e Paulo Marinho.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Marinho declarou que o senador foi avisado por um delegado da Polícia Federal sobre a investigação e que poderia atingir seu ex-assessor parlamentar, Fabrício Queiroz.

Benones citou ter preocupação com o julgamento porque, daqui para frente, as autoridades com foro, como Flávio, podem nunca mais prestar depoimento presencial.

(Com informações de Leandro Resende, da CNN, no Rio de Janeiro)