Justiça do Rio nega prisão domiciliar para Cristiane Brasil

No pedido feito pela defesa, Brasil alega ser parte do grupo de risco para coronavírus

Leandro Resende
Por Leandro Resende, CNN  
10 de outubro de 2020 às 12:32
A ex-deputada federal Cristiane Brasil
Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

A Justiça do Rio negou o pedido de prisão domiciliar feito pela ex-deputada federal Cristiane Brasil, presa desde o dia 11 de setembro por supostos desvios em contratos de assistência social celebrados pela prefeitura e governo do Rio. O esquema investigado envolve o desvio de recursos da Fundação Leão XIII, que presta serviços à pessoas pobres no estado do Rio.

No pedido feito pela defesa, Brasil alega ser parte do grupo de risco para coronavírus. A filha de Roberto Jefferson, presidente do PTB, alegou fazer tratamento psiquiátrico desde 2018, mas a juíza Simone de Faria Ferraz, da 26a Vara Criminal do Rio, entendeu que ela deve permancer no presídio.

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A Justiça acompanhou o parecer do Ministério Público do Rio, que argumentou a favor da necessidade de manter Cristiane Brasil presa. “Há fortíssimos indícios de que a organização criminosa continuava a atuar, em consonância com as provas obtidas através da apreensão dos aparelhos de telefonia celular dos acusados Marcus Vinícius e Flávio Chadud, havendo, inclusive a renovação de contrato da sociedade empresária Servilog no ano de 2019, já na gestão do atual governo”, sublinhou o MP do Rio.  O órgão ainda afirma que é inegável a existência de fatos novos que demonstram a necessidade de prisão cautelar da ex-deputada. 

Ontem, a CNN mostrou que Cristiane Brasil contratou a filha de um dos desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio que irá analisar seu pedido de saída da cadeia. Uma das advogadas que assina o pedido é Juliana França David, filha do desembargador Cairo Ítalo França David, presidente da 5a Câmara Criminal da Justiça do Rio - é lá que tramitam os recursos da ex-parlamentar. O caso deve ser julgado até o final deste mês pelo colegiado. 

Na decisão, a juíza também negou o pedido de prisão domiciliar feito pelo empresário Flávio Chedud, um dos integrantes do esquema que pode ter desviado até R$ 120 milhões dos cofres do estado. O ex-delegado Mario Jamil Chadud, pai de Flávio, e o ex-diretor de administração financeira da Fundação Leão XIII João Marcos Borges Mattos. Eles deverão cumprir a prisão em casa, monitorados por tornozeleira eletrônica.