Líder do governo diz que ‘nova ordem é combinar primeiro e anunciar depois’

Para evitar 'contratempos' como o da Coronavac, segundo Ricardo Barros, os anúncios devem ser combinados a partir de agora

Noeli Menezes, da CNN, em Brasília
22 de outubro de 2020 às 12:00
Deputado Ricardo Barros, do PP
Foto: Najara Araujo/Câmara dos Deputados

O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), afirmou nesta quinta-feira (22) que a “nova ordem da articulação política é: ‘combina primeiro e anuncia depois’, para não ter esses contratempos. Sai uma notícia e depois vem o desmentido, como o da vacina [chinesa] ontem”.

Na terça-feira (20), após reunião com governadores, o Ministério da Saúde definiu a compra de 46 milhões de doses da Coronavac. Um dia depois, o presidente Jair Bolsonaro negou a aquisição das doses do imunizante, e o ministério voltou atrás no anúncio. 

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Para evitar esses “contratempos”, disse o deputado, que participou de live da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre as medidas necessárias para o Brasil voltar a crescer, os anúncios devem ser combinados a partir de agora. “Combina primeiro, anuncia depois. Assim vamos dar mais tranquilidade à sociedade, que vai entender que, quando tem um anúncio, pode realmente se tornar uma realidade”, disse Barros.

Ele disse ainda que o governo só apresentará propostas para retomar a economia após as eleições municipais de novembro e somente o que tiver “aceitação no Congresso”.

De acordo com o líder, a segunda parte da reforma tributária pelo governo ainda não foi apresentada porque é “complexa” e ainda não há consenso sobre a criação da contribuição de transações digitais. Mas declarou que não haverá desoneração da folha das empresas se não houver uma fonte para compensar as perdas de arrecadação.

“A decisão será do Congresso. Se não quiser aprovar [nova tributação], OK, é uma decisão, mas teremos que buscar outras fontes.”

Imunidade de rebanho


O deputado voltou a defender o fim do isolamento social, porque sempre foi “contra” e “não funcionou”. 
“A literatura diz que 90% que pegarem serão assintomáticos. Os que tiverem sintomas serão tratados desde o início”, declarou ao defender que todas as atividades sejam retomadas para que a população adquira imunidade de rebanho. 

“Precisamos encerrar a pandemia. Como? Imunidade de rebanho. Todos voltarem a trabalhar. Retomar a economia e colocar o estado para funcionar. Já temos os respiradores, os leites de UTI, antivirais... A vacina de hoje é o respirador de ontem. Quem tiver dinheiro vai comprar primeiro. Temos que tocar a vida”, continuou.

Barros ponderou que o governo não pode investir num plano de retomada e ter que parar depois, na hipótese de uma segunda onda de contaminação pela Covid-19. 

Renda Cidadã


O líder do governo afirmou que o Renda Cidadã, programa social que deve substituir o auxílio emergencial a trabalhadores informais em 2021, “vai pegar o Bolsa Família e juntar outros benefícios para ampliar a base de atendimento”. 

“O auxílio emergencial atende pessoas. O Renda Cidadã será para famílias. Vai ter contrapartida de educação. Quem tiver filho na escola vai receber mais. O que nós temos que fazer agora é que as ajudas deixem de ser ajudas no futuro. Isso que tem que mudar. Estamos trabalhando nessa formatação”, declarou.