Gestão de Covas recebeu Boulos pelo menos 8 vezes para tratar de moradia popular

Ex-secretário municipal de Habitação de São Paulo, João Farias diz que os dois sempre tiveram boa relação

Pedro Duran, da CNN, em São Paulo
16 de novembro de 2020 às 10:07 | Atualizado 16 de novembro de 2020 às 10:47
Candidatos à prefeitura de São Paulo em segundo turno, Guilherme Boulos (PSOL) e Bruno Covas (PSDB)
Foto: Reprodução/Youtube e Divulgação/GOVSP 

A gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) recebeu em pelo menos oito oportunidades o rival do tucano no segundo turno, Guilherme Boulos, do PSOL. Em duas delas, o encontro foi com o prefeito presente.

A relação de enfrentamento entre o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e a prefeitura de São Paulo, da época em que João Doria (PSDB) era prefeito, mudou da água para o vinho quando Covas assumiu.

Foi assim na criação do programa de moradia popular “Pode Entrar”, criado por Covas para ocupar o vácuo deixado com a paralisação do Minha Casa Minha Vida. Boulos participou ativamente da construção do projeto junto com a equipe do tucano.

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O ex-secretário municipal de Habitação João Farias diz que os dois sempre tiveram boa relação. Farias, que é do Republicanos, deixou a pasta quando a candidatura de Celso Russomano ganhou força no partido.

“Sempre foi uma relação extremamente cordial, uma relação de respeito. Tanto que em nenhum momento, o Boulos teceu qualquer crítica em relação ao trabalho do Bruno na área habitacional durante a campanha”, disse Farias em entrevista à CNN.

Ocupação Palestina


Uma das reivindicações de Boulos e do MTST atendida pela prefeitura de São Paulo na gestão de Bruno Covas foi o decreto de área de interesse social para a região da Ocupação Palestina, no Jardim Ângela, extremo sul de São Paulo.

Com isso, Covas conseguiu desapropriar a área judicialmente, o que impediu uma possível reintegração de posse por parte do então proprietário do terreno.

Verbas da gestão Temer


Um outro pleito de Boulos atendido pela equipe de Covas foi o movimento da prefeitura para tentar liberar recursos da Caixa Econômica Federal para uma entidade ligada ao MTST em outro programa habitacional.

O empreendimento de moradia popular tinha sido aprovado pelo governo Temer, mas a verba foi bloqueada pela gestão de Jair Bolsonaro. A gestão Covas entrou no circuito, até porque R$ 30 milhões do custeio do programa sairiam dos cofres da administração municipal. Mas o ofício enviado ao ministro Rogério Marinho não ajudou a liberar o dinheiro e as casas seguem sem previsão de entrega.