Planalto admite que Centrão ocupará vácuo de bolsonaristas, mas minimiza impacto

Análise de membros do governo é de que vitória das legendas de centro ocorreu porque não houve muitos candidatos bolsonaristas ‘raiz’

Por Igor Gadelha, CNN  
16 de novembro de 2020 às 09:18 | Atualizado 16 de novembro de 2020 às 09:49

 

Ministros do governo e assessores do presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto admitem, nos bastidores, que os partidos do Centrão foram os grandes vencedores das eleições municipais deste ano e ocuparão um “vácuo” deixado por candidatos bolsonaristas autênticos.

A avaliação, porém, é de que essa vitória das legendas de centro na disputa pelas prefeituras de todo o país foi possível principalmente porque não houve muitos candidatos bolsonaristas “raiz” e porque o próprio presidente da República não entrou de cabeça na campanha.

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“Não temos quadros, não temos partidos, não temos trabalho de base, não temos trabalho de formação”, afirmou à CNN um auxiliar palaciano, pontuando que Celso Russomano e Marcelo Crivella, ambos apoiados pelo presidente, não são tidos como bolsonaristas autênticos.

Deputado federal pelo Republicanos, Russomano acabou em quarto lugar na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Atual prefeito do Rio de Janeiro pelo mesmo partido de Russomano, Crivella, por sua vez, irá para o segundo turno com o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM).

Eleitora e mesária cumprem as protocolos de segurança em local de votação
Foto: Reprodução - 15.nov.2020 / CNN
 

Impacto em 2022


Os auxiliares presidenciais também minimizaram o impacto do pleito municipal nas eleições gerais de 2022, quando Bolsonaro pretende disputar reeleição. A avaliação é de que os resultados podem até afetar de alguma forma, mas não serão determinantes.

“O que o PSL tinha antes de fazer a segunda maior bancada da Câmara?”, questiona um influente auxiliar de Bolsonaro, em referência ao partido pelo qual o presidente foi eleito em 2018. Antes daquele pleito, quando elegeu 52 deputados, a sigla tinha apenas oito representantes na Câmara.

Ainda no domingo (15) o próprio presidente foi nessa linha de argumentação. “Há 4 anos Geraldo Alkmin elegeu João Dória prefeito de São Paulo no primeiro turno. Dois anos depois Alckmin obteve apenas 4,7% dos votos na disputa presidencial”, escreveu Bolsonaro nas redes sociais.

"Sem estratégia"


Caciques do Centrão ouvidos pela CNN, por sua vez, viram que a falta de estratégia de Bolsonaro pesou no resultado das eleições. A avaliação, contudo, é de que o próprio presidente da República cavou essa “derrota”, ao entrar na campanha sem estratégia.

“O Bolsonaro é o grande derrotado porque quis. Entrou na campanha sem estratégia. Era melhor não ter apoiado ninguém”, disse à coluna o presidente de uma grande sigla do grupo. Para esse dirigente, o resultado não deve mudar a relação do grupo com Bolsonaro no Congresso.