Paes começa a planejar transição e anuncia secretário de Saúde

Ele informou que a prioridade absoluta é reestruturar a rede de saúde para o combate ao novo coronavírus

Isabelle Saleme, Pauline Almeida e Jairo Nascimento da CNN, no Rio de Janeiro
30 de novembro de 2020 às 13:22 | Atualizado 30 de novembro de 2020 às 19:00

 

A pandemia de Covid-19 é o primeiro desafio do prefeito eleito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM). Nesta segunda-feira (30), ele inicia os trabalhos para planejar a transição do novo mandato. Ele anunciou o médico Daniel Soranz como futuro secretário municipal de Saúde. 

O futuro secretário apresentou dados e um planejamento de enfrentamento à pandemia na cidade como parte de um plano de 100 primeiros dias de gestão. A equipe ainda não teve acesso aos dados da transição, mas elaborou as metas em parceria com uma equipe da Fundação Oswaldo Cruz.

Durante esta manhã, em conversa com a imprensa em frente à casa onde mora na zona sul da capital fluminense, Paes informou que a prioridade absoluta é reestruturar a rede de saúde para o combate ao novo coronavírus. 

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"Acho que o Rio enfrentou muito mal essa questão [da Covid-19], tanto que tivemos um índice de mortes muito acima do que poderia ter sido. Pandemia vai ser prioridade, recuperação da nossa estrutura de saúde, principalmente as clínicas da família”, disse o prefeito eleito.

O último boletim da Secretaria Estadual de Saúde aponta que a capital soma 137.643 casos confirmados e 13.267 mortes pelo novo coronavírus. Desde a semana passada, a ocupação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) destinados à Covid-19 passou dos 90% na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) e há fila de espera.

O novo secretário municipal de Saúde vai ter o papel de articular a relação com o governo federal em busca de recursos para conter o avanço da doença. Soranz afirmou que pedirá 450 mil testes para Covid-19 ao governo federal, disse que vai trabalhar pela regulação de leitos a fim de aproveitar as unidades já existentes, abastecer as unidades de saúde com medicamentos, introduzir o trabalho de rastreamento dos parentes de doentes, retomar as cirurgias eletivas e preparar a rede de vacinação Municipal para aplicação da vacina de Coronavírus.

Soranz acrescentou que a Iabas, organização social acusada de corrupção no governo estadual e desqualificada pela prefeitura da Gestão Crivella, não vai voltar ao governo. Porém, Soranz disse não saber se OS vai atuar ou não nos próximos quatro anos de governo.

Daniel Soranz foi secretário de saúde na segunda gestão de Paes, entre 2014 e 2016. É médico sanitarista, tem doutorado em Epidemiologia e é pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz. Soranz foi um dos responsáveis pela implementação do programa de saúde da família na capital fluminense.

Eduardo Paes também quer diálogo com o estado. Na noite desse domingo (29), ele recebeu os parabéns do governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e apontou a necessidade de conversa entre as duas instâncias. "Vamos trabalhar em parceria com o governo do estado. Falei com Cláudio Castro para que acabem essas informações confusas. O estado fala uma coisa, a prefeitura diz outra", disse ao comentar sobre relacionamento com o governador em exercício. 

Um dos pontos que deve ser debatido é a gestão do hospital de campanha do Riocentro, o único ainda em atividade na capital. “Eu sempre achei que não tinha necessidade de hospital de campanha, eu acho que você tem uma quantidade de leitos tão grande no Rio, que estão aí inutilizados. Precisa ativar esses leitos, botar para funcionar”, avaliou o prefeito eleito, mais cedo ao falar com a imprensa.

Demais secretários

Questionado, Paes não respondeu sobre a indicação de Marcelo Calero na pasta de Integridade Pública, uma espécie de Secretaria da Casa Civil, e de Pedro Paulo para Secretaria de Fazenda.

Pedro Paulo é deputado federal eleito em 2018 pelo Democratas. Foi Secretário-chefe da Casa Civil e Secretário Executivo de Coordenação de Governo, com pausas, na prefeitura do Rio entre 2011 e 2016. Marcelo Calero é deputado federal, em primeiro mandato, pelo Cidadania do Rio. Ele foi secretário municipal de cultura em 2015. Em 2016, ficou pouco mais de seis meses no cargo de Ministro da Cultura do governo Michel Temer, mas deixou o cargo após acusar pressão do então ministro Geddel Vieira Lima por liberação de uma obra no centro histórico de Salvador.