Alcolumbre resiste a cancelar recesso de janeiro

Segundo interlocutores, presidente do Senado avalia que o cancelamento do recesso favoreceria sobretudo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ)

Por Igor Gadelha, CNN  
15 de dezembro de 2020 às 10:40
Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP)
Foto: Roque de Sá - 19.nov.2019/Agência Senado

O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), resiste a suspender o recesso parlamentar de janeiro, como alguns deputados e senadores vêm defendendo.

Segundo interlocutores, Alcolumbre avalia que o cancelamento do recesso favoreceria sobretudo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que quer avançar em sua agenda para se cacifar politicamente.

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Maia e Alcolumbre se distanciaram recentemente em razão do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal sobre a possibilidade de ambos tentarem reeleição para o comando das respectivas Casas.

O senador atribui sua derrota na corte ao presidente da Câmara. Para Alcolumbre, o resultado seria outro se Maia tivesse deixado claro que não tentaria reeleição para um quarto mandato como presidente da Casa.

De acordo com aliados de Maia e Alcolumbre, os dois não se falam por telefone desde pelo menos o dia 5 de dezembro, véspera da conclusão do julgamento sobre reeleição do STF.

Além da questão política com Maia, interlocutores do presidente do Senado dizem que o cancelamento do recesso custaria caro ao Legislativo, porque teria de pagar hora extra para servidores durante o período.

O Executivo também vê com ceticismo a suspensão do recesso de janeiro. À CNN, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), disse considerar “muito” difícil a suspensão do recesso.

Segundo Barros, o governo até apoiaria o cancelamento no Senado. Ele lembrou, contudo, que a convocação extraordinária teria de ser para duas Casas, o que inviabiliza as chances, em razão das resistências na Câmara.

Procurado, Maia não respondeu.