Crivella entregou celular de outra pessoa ao ser alvo de operação, em setembro

Entrega de outro aparelho telefônico foi um dos motivos do Ministério Público do Rio para pedir a prisão do prefeito

Maria Mazzei e Leandro Resende, da CNN, no Rio de Janeiro
22 de dezembro de 2020 às 10:20 | Atualizado 22 de dezembro de 2020 às 11:21

 

Um telefone falso, um carro de fuga e tentativas de atrapalhar a investigação. Esses foram os motivos apresentados pelos procuradores do Gaocrim (Grupo de Atribuição Originária Criminal da Procuradoria-Geral de Justiça) para pedir as prisões do prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos) e do empresário Rafael Alves. Ambos são apontados pelo Ministério Público como “líderes da organização criminosa, de quem partem todas as ordens, mesmo que implícitas, para a prática de delitos”, descrevem os procuradores na denúncia de 453 páginas.

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De acordo com investigadores, durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na casa do prefeito Marcelo Crivella, no dia 10 de setembro, ficou claro as tentativas de Crivella em “colocar obstáculos contra a investigação, pois o Prefeito, naquela ocasião, entregou aos agentes encarregados da diligência, afirmando ser de seu uso, um aparelho de telefone celular de terceiro, para o quê contou com a colaboração de Mauro Marcedo”, afirmam os procuradores.

Mauro Macedo é ex-tesoureiro da campanha de Crivella e também foi preso na operação deflagrada nesta terça-feira (22) pela MP e pela delegacia Fazendária, da Polícia Civil do Rio. Além dele, foram presos empresário Rafael Alves, o delegado aposentado Fernando Moraes, o empresário Adenor Gonçalves dos Santos e o empresário da área de seguros, Cristiano Stockler Campos.

Os investigadores conseguiram constatar que o telefone entregue por Crivella não se tratava do verdadeiro telefone usado por ele quando analisaram os dados armazenados no aparelho e também o rastreamento do percurso do GPS do celular. Os laudos foram anexados na denúncia entregue à Justiça.

Outro ponto destacado pelos procuradores foi o risco de fuga de Rafael Alves.  No carro dele, os investigadores apreenderam cerca de R$ 50 mil em espécie e uma coleção de joias e relógios, “dando a sugerir que se tratava de um carro preparado para eventual necessidade de fuga, já que tal veículo ficava estacionado do lado de fora da sua casa”.

Também dentro do carro de Rafael Aves, apontado pelos procuradores como um dos líderes da organização criminosa, foi encontrado a cópia de um depoimento sigiloso e que fazia parte da investigação que apurava o envolvimento da Riotur e outros setores da administração pública de Crivella. Para os investigadores ficou claro a tentativa “encobrir os crimes e, assim, colocar obstáculos à sua apuração”.