Planalto monitora reação de governadores e ainda não cogita ação contra Doria

Governador de São Paulo, por sua vez, tem dito nos bastidores que a crítica dos colegas governadores é natural

Igor Gadelha
Por Igor Gadelha, CNN  
18 de janeiro de 2021 às 10:50 | Atualizado 18 de janeiro de 2021 às 12:05


Ministros e auxiliares presidenciais do Palácio do Planalto monitoram, desde a noite deste domingo (17), a reação de outros governadores ao chefe do Executivo estadual de São Paulo, João Doria (PSDB).

Como a CNN noticiou ainda ontem (17), alguns governadores criticaram o tucano por ter começado a vacinação antes dos demais estados, que só devem iniciar o processo de imunização nesta segunda-feira (18).

 

João Doria e Mônica Calazans, primeira brasileira a receber a Coronavac
João Doria e Mônica Calazans, primeira brasileira a receber a Coronavac (17 jan 2021)
Foto: Reprodução / CNN

A crítica foi exposta no grupo de WhatsApp dos governadores. À coluna, Wellington Dias (PT), do Piauí, disse que chegou a pedir na manhã de domingo, no grupo, para Doria esperar, o que o tucano não fez.

Com a decisão de Doria, governadores combinaram de dar uma “resposta política”, comparecendo em peso ao evento com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na manhã de hoje, no Aeroporto de Guarulhos.

À coluna, um governador afirmou que Doria desrespeitou a igualdade federativa. Disse também que o tucano poderá perder apoio para 2022, quando quer disputar a Presidência da República.

Desde a noite de domingo, auxiliares do presidente Jair Bolsonaro têm entrado em contato com governadores para medir a temperatura da reação dos gestores estaduais a Doria.

Por ora, esses auxiliares dizem que o governo federal ainda não cogita acionar Doria na Justiça por ter iniciado a vacinação antes. A resposta, dizem, foi política, com o evento de hoje de Pazuello com os governadores.

Procurada desde o domingo, a Advocacia-Geral da União (AGU) ainda não se pronunciou.

 

Próximos passos de Doria

Doria, por sua vez, tem dito nos bastidores que a crítica dos colegas governadores é natural. Também tem classificado o início da vacinação em São Paulo como a maior derrota política de Bolsonaro até agora.

Apesar das críticas, o governador paulista prepara novas ações para manter a Coronavac em evidência. Ele planeja para 25 de janeiro um evento para vacinar ex-presidentes da República.

Pelo menos dois já aceitaram o convite: José Sarney e Fernando Henrique Cardoso. O ex-presidente Lula volta de Cuba nesta semana e, segundo sua assessoria, “deve tomar a vacina do Butantan assim que possível”.