PM-RJ registra 'mau comportamento' e 'conduta desviante' de Daniel Silveira

Entre 2013 e 2017 Daniel Silveira ficou preso por 80 dias, teve registro de 60 sanções disciplinares, foi alvo de 14 repreensões e de duas advertências

Leandro Resende
Por Leandro Resende, CNN  
17 de fevereiro de 2021 às 13:06 | Atualizado 17 de fevereiro de 2021 às 13:46

Ao ser preso na noite desta terça-feira por pregar a favor da ditadura militar e defender ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado Daniel Silveira  (PSL-RJ) afirmou ter orgulho de ter sido preso mais de 90 vezes quando era da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Um exagero, mas que não diminui a extensão das anotações de sua ficha disciplinar do período em que ele esteve na corporação. Documentos internos revelam que a PM definiu seu então soldado como alguém de “mau comportamento”, “ausência de compromisso e incompatibilidade com o serviço policial militar”, e que cometeu “numerosas transgressões”.  

Entre 2013 e 2017 Daniel Silveira ficou preso por 80 dias, teve registro de 60 sanções disciplinares, foi alvo de 14 repreensões e de duas advertências, por transgredir o serviço policial militar com faltas, ausências e serviços e por postar vídeos com conteúdo ofensivo em seu Facebook fardado e dentro das viaturas da corporação, que "contribuem negativamente para  a imagem da corporação”, de acordo com avaliação interna da própria PM.  Os documentos foram revelados pelo portal The Intercept em agosto de 2020 e também obtidos pela CNN

 

A assessoria de Daniel Silveira afirmou à CNN que as prisões do deputado enquanto PM foram todas “administrativas”, em razão de seus questionamentos aos governos Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e às decisões tomadas pelo comando-geral da corporação. A equipe do parlamentar também enviou um vídeo de 13 minutos em que ele responde aos questionamentos sobre sua ficha disciplinar. “Bati de frente com o sistema e é isso aí mesmo que acontece, ou é preso ou é morto”, declarou, em depoimento gravado no dia 12 de agosto.

Na ocasião, em fevereiro de 2018, diante do histórico , o comando-geral da PM abriu um processo disciplinar contra Silveira, que poderia terminar com sua exclusão da corporação e a revogação de seu porte de arma de fogo. No entanto, ele deixou a corporação ao se candidatar para o cargo de deputado federal, meses depois. “[Ficando] cristalina sua inadequação ao serviço policial militar, mesmo tendo recebido inúmeras oportunidades, confirmando ineficiência do caráter educativo”, diz trecho da abertura de processo disciplinar contra Silveira. 

 

Antes desse processo disciplinar, Silveira fora alvo de uma averiguação interna em 2017 para apurar suspeita de crime após ele postar um vídeo em seu Facebook com críticas a líderes religiosos “utilizando palavras de calão, comportamento este incondizente com a condição de policial militar que o mesmo deixa explícita nas imagens”. A PM, no entanto, não viu crime cometido pelo então soldado neste caso. 

No dia 04 de outubro de 2018, a PM publicou, em seu boletim interno, o licenciamento de Silveira. Fontes da PM informaram à CNN que, no caso do parlamentar, trata-se de uma exclusão das fileiras da corporação, sem que o político tenha solicitado seu afastamento.