Em seu pior momento, Bolsonaro debate ampliação de espaços a aliados

Há uma especial preocupação com o PL, de Valdemar da Costa Neto, que tem mandado recados de que deseja ocupar um ministério sob pena de liderar uma revolta

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
17 de março de 2021 às 19:29 | Atualizado 17 de março de 2021 às 20:44

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) solicitou um levantamento do espaço que os partidos têm no seu governo, com o objetivo de verificar como assegurar uma maior lealdade da base aliada no momento mais crítico de sua gestão. Auxiliares admitem à CNN sob reserva que se trata do “pior momento” do governo.

Pesquisa Datafolha publicada nesta quarta-feira (17) mostra que ele está no auge da reprovação popular e que sua condução da pandemia é muito mal avaliada.

Bolsonaro durante evento na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro
Foto: Divulgação/Marcos Corrêa/PR

Além disso, o retorno do ex-presidente Lula à arena eleitoral fez o governo se atentar à possibilidade de parte da base flertar com o petista, uma vez que grande parte dela já foi base dos governos do PT.

Há uma especial preocupação com o PL, de Valdemar da Costa Neto, que tem mandado recados de que deseja ocupar um ministério sob pena de liderar uma revolta na base. 

Interlocutores do presidente admitem a possibilidade de abrir mais espaço à legenda, mas não no curto prazo. Eles pretendem esperar por mais tempo, quando o cenário eleitoral de 2022 estiver mais claro. 

Uma possibilidade é oferecer o ministério do Turismo, uma vez que seu atual ocupante não integra nenhum partido. O ministro Gilson Machado é um amigo de Bolsonaro.

O incômodo no PL é com o fato de alguns dos seus parceiros com menor bancada do que a legenda terem postos de mais destaque no governo do que ele. Caso de Republicanos, que ganhou recentemente a Cidadania; e do PSD, que ocupa a Comunicações. Além do PP, que embora não tenha ministérios, ocupa autarquias importantes, como o bilionário Fundo nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Todos foram base aliada de Lula e de Dilma Rousseff e, com o retorno de Lula, integrantes de seus partidos conversaram com petistas nos últimos dias. De acordo com o PT, o próprio Valdemar falou com integrantes do partido parabenizando Lula pelo seu discurso. 

Procurada, a assessoria de Valdemar disse que “não há registro de agenda do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, com dirigentes do PT”.

Procurada, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência disse que não recebe este tipo de informação.