Bolsonaro diz que Pazuello deixa o cargo de ministro da Saúde nesta sexta

Presidente disse que trabalho do general na pasta foi excepcional

Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo
18 de março de 2021 às 19:46 | Atualizado 19 de março de 2021 às 00:42

 O presidente Jair Bolsonaro elogiou, durante a live semanal realizada nesta quinta-feira (18), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e afirmou que o general deixa a pasta nesta sexta-feira (19).

"[Quero] cumprimentar também o Pazuello, que está nos deixando amanhã por ocasião do Diário Oficial da União, que fez um brilhante trabalho no Ministério da Saúde. Ele [Pazuello] fez um trabalho excepcional. Não deixou, desde o ano passado, de fazer contratos para compra de vacinas. Não justifica como alguns ficam nos criticando", disse.

O chefe do Executivo repetiu que não há doses suficientes de imunizantes contra a Covid-19 e se dirigiu àqueles que, segundo ele, reclamam que querem a vacina. "Eu também quero. Eu quero que você me diga onde é que tem vacina para vender".

Bolsonaro voltou a defender o "tratamento inicial" da Covid-19 com remédios que não possuem comprovação científica de ação contra a doença. Durante a transmissão, ele afirmou que não se importa em ser chamado de "Capitão Cloroquina". Ainda segundo o presidente, o país pode ter em breve o “Capitão Corrupção”, fazendo uma referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Foto: Reprodução/Facebook

Com o número de mortes em decorrência da Covid-19 batendo recordes diários, Bolsonaro afirmou que a população está dividida em relação às medidas de isolamento social. Segundo ele, há pessoas que insistem no "fique em casa" e outras que querem trabalhar por necessidade.

"Eu acho que ficar em casa é uma coisa bacana, quem não quer ficar de férias em casa aí? Mas pouquíssimas pessoas têm poder aquisitivo para ficar sem trabalhar. Temos no Brasil servidores públicos, civis e militares, que podem ficar em casa, que por enquanto não veem sua remuneração, proventos, aposentadorias, pensões ameaçadas. Agora, uma grande parte dos brasileiros, os que vivem na formalidade, com carteira assinada, perde emprego, tem redução de salário", comentou.

Ainda durante o discurso, Bolsonaro anunciou que entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal para barrar medidas de restrições impostas por governadores.

“Entre eles, o mais importante, é uma ação contra decretos de três governadores, que inclusive bota ali toque de recolher. Isso é estado de sítio, que só uma pessoa pode decretar: eu. Um decreto de um governador, um prefeito, não importa quem seja, tem o poder de usurpar a Constituição. O Supremo vai decidir. Queremos uma resposta”, disse.

De acordo com um levantamento feito pelo Fórum Nacional dos Governadores, chegou a 18 o número de estados que adotaram o toque de recolher noturno como medida para tentar conter o avanço da Covid-19.

A CNN Brasil consultou a Advocacia Geral da União (AGU) sobre essa ação, mas não obteve resposta até a publicação deste texto. 

Segundo o presidente, ele vai apresentar nesta sexta-feira um projeto ao Congresso Nacional para ampliar as atividades consideradas essenciais, que podem funcionar durante as restrições.

"Vou apresentar amanhã um projeto, com pedido de urgência, para o Congresso definindo o que é atividade essencial. Para mim, atividade essencial é toda aquela necessária para levar o pão para casa", declarou.